Arquivo mensais:maio 2007

Resumo: John D. Rateliff na festa de lançamento de Os Filhos de Húrin

John D. Rateliff foi entrevistado na tarde de segunda-feira (16/04) após Nils Ivar Agøy no lugar de John Garth, escritor de Tolkien and the Great War, que precisou comparecer ao velório de seu sogro. Mas Rateliff não foi um substituto comum. Ele é na verdade o homem responsável por completar a última peça no quebra-cabeças da história das publicações tolkienianas! Seu livro The History of the Hobbit é um livro nos moldes da série The History of Middle-earth, escrita por Christopher Tolkien durante os anos 1980–90.

O primeiro volume da série foi publicado no dia 1º de maio e já está a venda na Amazon.com em capa dura, oito dias antes da data original. Na entrevista, Rateliff conta que neste primeiro volume a história desde Bolsão até a partida da Cidade do Lago será tratada, enquanto tudo da chegada a Erebor, a Montanha Solitária, até a volta a Bolsão será contado no volume dois.

O trabalho em The History of the Hobbit levou 25 anos para ser completado, pois Rateliff trabalhava nele em seu tempo livre após a chegada dos manuscritos originais do livro em Marquette em 1981, onde ele fazia Ph.D., com Taum Santoski, que faleceu com apenas 32 anos. O projeto era originalmente de Santoski, que pediu a Rateliff para que o terminasse.

Quando perguntado sobre The Annotated Hobbit, de Douglas Anderson, Rateliff diz que o livro de Anderson na verdade é complementar ao seu, sendo “o melhor texto de [O] H[obbit] em existência”. Segundo ele, seu trabalho lida apenas com a história d’O Hobbit antes de sua publicação, enquanto Anderson cobre a história da publicação original em diante.

Perguntado sobre por que Christopher Tolkien teria deixado O Hobbit de lado quando publicou a série The History of Middle-earth, ele diz que em parte foi por conta do gigantesco trabalho no qual CT estava envolvido. Por outro lado Christopher, diz Rateliff, não considera O Hobbit como parte do legendário (nome dado por Tolkien ao seu próprio conjunto de mitos e histórias). Contudo, esta não é a opinião de Rateliff, que diz mostrar em seus livros que O Hobbit era realmente conectado às lendas do Book of Lost Tales, o livro que com o tempo tornou-se O Silmarillion. Nos rascunhos do primeiro capítulo, diz ele, Tolkien menciona Beren e Lúthien: “O mago diz que eles não precisam se preocupar em procurar se vingar do Necromante, pois Beren e Tinúviel já demoliram sua torre escura”, disse Rateliff. “Esta é uma referência explícita à ‘Balada de Leithian’ e um bom indicativo para mim de que o mundo de Bilbo e o mundo deles foi pensado como sendo o mesmo desde o início.”

Quando perguntado se isso faria com que Morgoth fosse o Necromante, Rateliff lembra que Sauron era chamado dessa maneira na ‘Balada’, que foi publicada no volume III da série HoME. Desta forma, a torre destruída foi a de Tol-Sirion, onde n’O Silmarillion Beren é preso com Finrod Felagund, onde Huan derrota Sauron em forma de lobo e Lúthien destroi a torre para libertar Beren. Também sobre a ‘Balada’, Rateliff correlaciona Taur-na-Fuin, para onde Sauron fugiu, com a Floresta das Trevas.

Foi feito um questionamento sobre os mistérios d’O Hobbit, como o Rei Bladorthin mencionado no Capítulo 12, a origem da cota de malha e os “Were-worms of the Last Desert”. Rateliff explica que originalmente o mago deveria se chamar Bladorthin, que a cota de malha passou por diversas modificações (o mithril foi uma adição tardia) e que originalmente os Were-worms eram “dos chineses”! Existem outras citações a criaturas do “mundo primário”, o que Rateliff atribui à influência de Lord Dunsany sobre Tolkien em seus primeiros trabalhos.

De forma geral a entrevista foi muito interessante, embora no momento em que ela era feita Rateliff tenha parecido um pouco ríspido. Felizmente tudo ficou um pouco mais leve quando o meu querido amigo Daeron, num momento de escassez de perguntas do público, questionou: “Balrogs têm asas?”

A resposta de Rateliff: “Africanos ou europeus?”

Para quem quiser dar uma olhada na entrevista mais ou menos completa, é só visitar a Tolkien Library.

O nome Lucas

Um dos nomes mais complicados para traduzir é o de um grande amigo, chamado Lucas. A complicação surge da falta de informação sobre a origem do nome: Lucas quer dizer “homem da Lucânia”, uma região da Itália agora chamada de Basilicata. O nome do local também não diz muito, pois a Lucânia recebeu seu nome dos seus habitantes, os lucani.

Infelizmente, não possuo fontes confiáveis sobre a origem dos nomes italianos, o que me força a recorrer a uma fonte nada confiável, a Wikipédia:

Le origini del loro nome restano oscure; poco convince infatti sia la tesi che esso derivi dal termine latino lucus (bosco sacro) che quella dal termine greco lukos (lupo) . Quest’ultima fa riferimento all’uso delle popolazioni sabelliche di adottare un animale totemico come guida nelle loro migrazioni (Primavera sacra) da cui poi assumere il nome. Tuttavia , proprio l’esempio dei loro vicini settentrionali, gli Hirpini , il cui nome deriva dal termine osco hirpus (lupo), rende poco attendibile questa ipotesi; i lucani infatti pur adottando ben presto l’alfabeto greco mantennero sempre l’osco come lingua , sembra quindi ben strano che essi abbiano assunto come nome identificativo un termine in un’altra lingua.

Portanto, segundo o artigo, os vizinhos setentrionais dos lucani, os hirpini, possuíam o radical hirpus (lobo) no seu nome, o que faz que lukos seja improvável no nome dos lucani. Fica a possibilidade então de que venha de lucus “bosque sagrado”, que poderia ser Airetaurë em Quenya. Os próprios lucani poderiam ser Airetaurelië (horrível…) ou Airetaurenórë (meio entês) ou simplesmente Airetauri (seguindo o exemplo de Quendi).

Lucas, portanto, poderia ser algo como Airetauron. Mas certamente não é uma daquelas traduções que eu consideraria para uma tatuagem!

Caso queiram traduções de outros nomes, é só entrar na seção Nomes em Élfico.