Todos os posts de Rodrigo Jaroszewski

Nomes élficos sendo renovados e uma resenha sobre minha vida

A maior motivação que eu tenho na minha vida é descobrir formas de fazer mais do que eu gosto e menos do que o que eu não gosto. Faz mais de 5 anos que aprendi a linguagem Markdown, expressões regulares e que descobri o editor Sublime Text, e esses três elementos combinados alteraram para sempre minha forma de trabalhar com textos.

Agora, o impacto desses três elementos encontrou seu caminho para a página mais necessitada do Tolkien e o Élfico: os nomes élficos. Gostaria de mostrar a vocês o código que eu precisava criar para cada nome, quando comecei o projeto:

<span class="name"><a name="adriana" id="adriana"><strong>ADRIANA</strong></a> — <abbr title="Quenya">Q.</abbr> <strong>Moreärwen</strong>, <abbr title="Sindarin">S.</abbr> <strong>Moraearwen</strong><br /><a name="adriano" id="adriano"><strong>ADRIANO</strong></a> — <abbr title="Quenya">Q.</abbr> <strong>Moreäro</strong>, <abbr title="Sindarin">S.</abbr> <strong>Moraearo</strong></span><br /> Do <abbr title="latim">lat.</abbr> <em>Adrianus</em> “do Adriático”. Por sua vez, o Adriático é o mar ao leste da Itália, que recebeu seu nome da antiga cidade de Adria, cujo nome deriva de <em>atra</em>, o neutro de <em>atrum</em> “preto”. Considera-se portanto que o nome Adriático é traduzido como “mar negro” e Adriano como “do mar negro”.<br /> No nome feminino, utilizei o elemento <strong>-wen</strong> “donzela”, que não existe no nome original. Sugiro o <abbr title="Quenya">Q.</abbr> <strong>Moreärë</strong> e o <abbr title="Sindarin">S.</abbr> <strong>Moraeariel</strong> caso não deseje <strong>-wen</strong>.<br /> <em>Fonte: <a href="http://www.etymonline.com/index.php?term=Adriatic">EtymOnline</a></em>

Trabalhar com esse código não era fácil. Até hoje, não tive mais do que 93 nomes nesta página porque era desencorajador gerenciar esse código, criando todas as abreviações necessárias (<abbr>) no miolo do texto. Com o uso de uma ferramenta de conversão de HTML para Markdown, uma limpeza de código no Sublime Text utilizando expressões regulares e o suporte nativo a Markdown do WordPress, este é o verbete atual desses nomes:

<a id="adriano" name="adriano"></a>**ADRIANA** e **ADRIANO**
**Feminino** — Q. **Morlondë**, S. **Morlondel**
**Masculino** — Q. **Morlondo**, S. **Morlond**
Do lat. _Adrianus_ “de Adria”. Adria pode ter duas origens: uma etrusca, que significa "a cidade negra"; e outra ilíria, que significa "água, mar". Sendo a cidade etrusca, optei pela tradução "da cidade negra" para ambos.
_Fonte: [BTN](http://www.behindthename.com/name/hadrian) e [EtymOnline](http://www.etymonline.com/index.php?term=Adriatic)_

As abreviações estão em um índice, no final do código, e são aplicadas automaticamente sempre que o WordPress encontra a palavra no texto, eliminando centenas de caracteres do antigo código:

*[a.-al.ant.]: alto-alemão antigo
*[a.-s.]: anglo-saxão
*[adj.]: adjetivo
*[f.]: feminino
*[fr.ant]: francês antigo
*[gr.]: grego
*[heb.]: hebraico
*[lat.]: latim
*[norm.ant.]: normando antigo
*[nórd.ant.]: nórdico antigo
*[proto-germ.]: proto-germânico
*[Q.]: Quenya
*[Quend.prim.]: Quendiano primitivo
*[S.]: Sindarin

Um bom observador pode ter notado no exemplo acima que estou reescrevendo aos poucos as definições dos nomes élficos. O projeto original dos nomes tem quase 11 anos e sofre de um problema profundo: minha abordagem foi totalmente errada desde o princípio. Prezando por ser correto no significado do nome traduzido, criei diversos nomes que são esteticamente desagradáveis ou cacofônicos demais para serem chamados de “élficos”. Prefiro ter menos nomes traduzidos do que submeter alguém a usar um nome criado por uma necessidade de agradar o maior número de pessoas possíveis.

Eu vou alterá-los sempre que eu estiver com o humor favorável, mas eu não prometo nem que irei concluir o projeto. A realidade é que eu tenho um emprego que exige muito do meu cérebro e eu prefiro passar meu tempo livre com a minha esposa, passeando sempre que posso. Se não posso sair, assisto vídeos, escuto podcasts e jogo, como qualquer ser humano normal em 2017. Se encontro motivação, estudo algo — fiz um curso de Python recentemente, tenho um curso de Ruby on Rails parado e estudo meu ganha-pão, o Excel, sempre que a necessidade surge. Élfico é algo que precisa encontrar um espaço em um leilão de vontade e capacidade cognitiva, e raramente é dele o lance arrematante.

Conferência de línguas tolkienianas em agosto de 2017

A Omentielva Otsea — a sétima conferência internacional das línguas tolkienianas — acontecerá nos dias 10–13 de agosto de 2017, na California State University, East Bay, Campus Hayward.

Para participar, você deve fazer depósito de U$ 320, que incluem hospedagem, todas as refeições do jantar de quinta-feira ao almoço de domingo e o volume compilado de todas as palestras apresentadas durante o evento. Por U$ 30, você pode se registrar como um participante não presente, que apoiará o evento e receberá uma cópia do volume compilado.30

Caso queira participar como palestrante e ter seu estudo publicado no volume, envie o resumo da sua apresentação para Anders Stenström em beregond@omentielva.com.

Quem estiver interessado em saber mais, visite o website oficial da Omentielva, em www.omentielva.com. As inscrições terminam em 25 de maio.

Glǽmscribe

Para novatos: o site que eu vou citar abaixo não traduz seu nome pra élfico e não escreve português com letras élficas, ok? Não o utilize para fazer tatuagens também se você não souber nada de élfico, é arriscado e você pode se arrepender fortemente.

Uma boa notícia para quem gosta de transcrever seus textos de forma automatizada: os franceses Benjamin Babut e Bertrand Bellet do website Glǽmscrafu criaram o Glǽmscribe, um transcritor não só para Tengwar, mas também para Sarati e Cirth!

As línguas que podem ser transcritas nesse website são:

  • Adûnaico: em Tengwar;
  • Fala Negra: em Tengwar, tanto no modo geral quanto do estilo do Um Anel;
  • Gótico: no alfabeto gótico;
  • Khuzdûl: no modo Angerthas Moria;
  • Inglês Antigo: em Tengwar, no modo da Mércia ou de Wessex;
  • Nórdico Antigo: com runas no modo Futhark Codex Runicus;
  • Quenya: em Tengwar e Sarati;
  • Sindarin: em Tengwar no Modo de Beleriand ou Clássico, em Cirth no modo Angerthas Daeron;
  • Telerin: em Tengwar;
  • Valarin: em Sarati;
  • Westron: em Tengwar.

Cada modo tem um teclado de apoio (caso você precise digitar letras como þ ou æ sem precisar decorar os comandos necessários, além de algumas informações específicas a cada língua. No adûnaico, você pode “reverter a ordem dos dígitos de números”, escrever números em base 12 ao invés de base 10, inverter ordem dos tehtar de “o” e “u”.

As fontes já vem embutidas no website para que você possa ver o resultado esperado e até mesmo compartilhar a transcrição. Mas caso você queira copiar para utilizar no seu Photoshop, por exemplo, terá de instalar meu compêndio de fontes élficas ou buscar as outras fontes (como a fonte Analecta, para a língua gótica).

Parma Eldalamberon 22 anunciado

Anúncio do Parma Eldalamberon 22, na íntegra:

PARMA ELDALAMBERON 22

O Alfabeto Feanoriano, Parte 1

e

Estrutura Verbal do Quenya

Por J.R.R. Tolkien

Editado por Christopher Gilson e Arden R. Smith

http://www.eldalamberon.com/parma22.html

Nesta edição do Parma Eldalamberon, nós apresentamos várias peças sobre as línguas e escritas inventadas por Tolkien.

“O Alfabeto Feanoriano, Parte 1” é a versão mais antiga e mais longa da descrição do seu sistema de escrita, datado do final da década de 1930. Quatro modos são descritos para representar diferentes língaus inventadas — lindarin, qenya, parmaqestarin, noldorin antigo e beleriândrico — dos quais há uma edição revisada de texto dos anos 1940 para o segundo. Há tabelas para cada modo com as letras usadas e seus nomes. Exemplos são dados de várias linguagens, em tengwar com transcrições, para ilustrar diferentes pontos de uso e certas mudanças históricas que afetaram o sistema de escrita.

“Ortografia de Qenya” é a porção sobrevivente de uma Gramática de qenya contemporaneamente próxima da versão inicial d’O Alfabeto Feanoriano. Ele descreve a ortografia da língua escrita naquele texto e sua transcrição em alfabeto latino de acordo com o uso de Ælfwine. Baseado nisto, há seis versões de um texto chamado “Sobre a Ortografia de Ælfwine”, cuja mais tardia provavelmente data de cerca de 1950.

“Estrutura Verbal do Quendiano e Eldarin Comum”, provavelmente datando dos anos 1940, descreve o fundo etimológico à estrutura gramatical do verbo do quenya e suas conexões pré-históricas com os sistemas verbais de outras línguas élficas. Intimamente associado com esse texto está o “Sistema Verbal do Quenya”, parte de uma gramática do quenya contemporânea. Ele descreve a formação de várias raízes de tempos verbais e particípios de verbos do quenya e suas inflexões para número e voz, com algumas notas sobre sintaxe, e uma seção sobre “Verbos Irregulares”.

“Eldarin Comum: Estrutura Verbal” é uma revisão e elaboração do material de quendiano e eldarin comum, datados de aproximadamente 1950. É um texto que acompanha “Eldarin Comum: Estrutura de Substantivos”, publicado no Parma Eldalamberon 21, ambos sendo partes de uma gramática comparativa projetada das línguas eldarin.

“Notas Tardias Sobre a Estrutura Verbal” é um conjunto de textos, datados de 1969, lidando com conceitos revisados por Tolkien de inflexão verbal para tempo, substantivos e adjetivos verbais, expressões condicionais e o verbo negativo.

Nós esperamos que o Parma Eldalamberon 22 esteja disponível para envio em 1º de junho de 2015.

O custo é US$ 40,00 por cópia, incluindo postagem.

Para comprar agora, use este link do PayPal:

https://www.paypal.com/cgi-bin/webscr?cmd=_s-xclick&hosted_button_id=ETB6FBA62MZMG

Ou mande um cheque ou ordem de pagamento (moeda dos EUA apenas) para:

Christopher Gilson
1240 Dale Avenue, No. 40
Mountain View, CA 94040
United States of America

Como começar a usar as letras élficas

As letras élficas não são difíceis de aprender: em um dia já dá para começar a escrever tudo que você quiser.

Língua

Memorização

Comece escrevendo à mão. Sim, será horrível. Sim, você terá vergonha de mostrar para as pessoas. Não parecerá nada com o que Tolkien fez. Mas você não precisa de qualidade de traço, você precisa aprender as tengwar. Memorizá-las.

Se você for muito esforçado e tiver o equipamento correto1, já poderia criar coisas como esta:

Uma foto publicada por Jae Shin (@jmshinhira) em

Usando as fontes élficas

Assim que você pegar o jeito à mão, pode começar a usar as fontes élficas.

Como? Caso tenha instalado meu pacote de fontes élficas, vá na pasta C:\Program Files (x86)\Fontes Elficas\Tengwar Annatar e abra o arquivo tngandoc.pdf. Das páginas 6 a 10, há um excelente mapa de caracteres que você pode usar de referência. Ele te diz a tecla que você precisa pressionar para sair cada caractere. Quando eu comecei, mantinha impresso do meu lado até que me acostumei com o layout. Depois de um tempo, você sabe que j#w$ significa lambë “língua”2 e aDjt# é calma “luz”3.

instruções-mapa-caracteres-élfico

Deixe que a máquina faça o trabalho sujo

Se você quer uma frase escrita em Quenya, Sindarin ou Inglês, há uma opção ainda mais fácil do que escrever tudo à mão: o Online Tengwar Transcriber. Basta escrever a frase que você quer, escolher a língua e clicar “Transcribe”. O resultado que sai em “output” deve estar correto, se você fez tudo como eu disse.

Não existe nada similar pronto para português neste momento, motivo pelo qual eu me recuso a fazer transcrições para as pessoas. É simplesmente trabalho demais para alguém que já está em dois empregos.

ott-com-frase-em-quenya


  1. Se você gostar de escrever a mão, compre um kit de caligrafia ou uma pena e tinta. Dei uma pesquisada e até a data que escrevi este texto, o valor de um kit grande estava em torno de 100 reais. Melhores ferramentas lhe dará melhores resultados, mas apenas se souber usar. Por isso, minha outra dica é fazer cursos de desenho caligráfico, já que “curso de caligrafia” costuma ser anunciado para ajudar pessoas que têm dificuldade de escrever. 
  2. j#w$ 
  3. aDjt# 

Projeto de Kickstarter para ferramenta de ensino de élfico

Gostaria de chamar a atenção para um projeto do Kickstarter: o Elvish Linguistics Learning Tool.

A premissa é criar, com U$ 4.000, um software capaz de ajudar o estudante a visualizar o signficado da palavra enquanto lê uma frase, com a sua pronúncia e sua raiz exibidas em tempo real. Essa ferramenta poderia ser utilizada para aprender outras línguas também, não só o Sindarin, que é o foco inicial.

Uma demonstração do funcionamento pode ser acessada aqui. Também há uma demonstração da interface do professor. A especialista do projeto é Fiona Jallins, da Universidade de Montana e, se tudo der certo, David Salo, consultor de línguas dos filmes das séries O Senhor dos Anéis e O Hobbit também participará.

Neste momento, 75 pessoas fizeram doações no valor de U$ 3.613, faltando 11 dias para o final das doações.