Resumo do Curso de Quenya: Lição 7

Futuro

As formas futuras do Quenya são escritas desta maneira:

  • Verbos primários adicionam -uva ao fim do radical: hir- “encontrar” ? hiruva;
  • Radicais A retiram o -a final do radical e adicionam -uva: linda- “escutar” ? linduva

O único verbo que poderia ser considerado irregular é quat- “encher”, que formaria o futuro quantuva, por infixação nasal. Contudo, é possível que Tolkien tenha mudado a forma verbal e não se lembrou que já tinha publicado o verbo *quanta- em O Senhor dos Anéis (SdA p. 394).

Aoristo

Há duas definições aparentemente conflitantes do aoristo:

  • Helge Fauskanger diz: “pode ser usado para expressar ‘verdades universais'” (p. 130) e que “não pode descrever qualquer ‘verdade universal’ que transcende o tempo” (p. 131) tendo em vista os exemplos que possuímos se aplicam a coisas que acontecem no presente da obra, e não no passado;
  • Carl Hostetter diz: o aoristo é usado para descrever uma ação “pontual, habitual, ou de outra forma atemporal” (VT41:15).

Até o fim deste curso iremos pressupor que o Helge está correto. É a diferença semântica que mencionei na lição 5.

  • Verbos primários adicionam ao fim do radical no singular e -ir no plural;
  • Radicais A mantém sua raiz intacta e adicionam -r para o plural.
Tipo de Verbo Exemplo Singular Plural Dual
Primario mat- “comer” matë matir matit
Radical A linda- “cantar” linda lindar lindat

Não parecem haver formas irregulares no aoristo.

8 comentários sobre “Resumo do Curso de Quenya: Lição 7

  1. Carl Hostetter está tão certo como Helge aqui, Slicer. Na verdade, uma ação “pontual, habitual, ou de outra forma atemporal” é outra forma de expressar as tais “verdades universais”.

    Um exemplo: “Frodo come lembas”
    É uma verdade universal, ele come, atemporalmente. Não precisa de estar a ocorrer NESTE MOMENTO EXATO, simplesmente, é algo que acontece. Da mesma forma “caem as folhas” ou “as pessoas são diferentes”.

    Grosso modo, o aoristo Quenya correspponde ao presente indicativo, e o presente Quenya ao nosso gerúndio 😉

  2. Carl Hostetter está tão certo como Helge aqui, Slicer. Na verdade, uma ação “pontual, habitual, ou de outra forma atemporal” é outra forma de expressar as tais “verdades universais”.

    Um exemplo: “Frodo come lembas”
    É uma verdade universal, ele come, atemporalmente. Não precisa de estar a ocorrer NESTE MOMENTO EXATO, simplesmente, é algo que acontece. Da mesma forma “caem as folhas” ou “as pessoas são diferentes”.

    Grosso modo, o aoristo Quenya correspponde ao presente indicativo, e o presente Quenya ao nosso gerúndio 😉

  3. A diferença entre opiniões é que o Helge acredita que o aoristo está de alguma forma “preso” ao presente, enquanto o Hostetter acredita que o aoristo transcende o tempo, algo do tipo “sempre foi, é, e sempre será”.

    Não concordo muito com a sua visão sobre a relação dos tempos verbais do Quenya com os do português. A relação parece muito mais explícita quando se pensa no inglês: o present continuous sendo representado pelo presente do Q. e o presente comum pelo aoristo. O Q. tem sim um gerúndio que é formado de maneira distinta do presente, mas que só aparecerá mais tarde no curso, e sua função vai além do que o presente pode fazer.

    Obrigado pela visita! 😉

  4. A diferença entre opiniões é que o Helge acredita que o aoristo está de alguma forma “preso” ao presente, enquanto o Hostetter acredita que o aoristo transcende o tempo, algo do tipo “sempre foi, é, e sempre será”.

    Não concordo muito com a sua visão sobre a relação dos tempos verbais do Quenya com os do português. A relação parece muito mais explícita quando se pensa no inglês: o present continuous sendo representado pelo presente do Q. e o presente comum pelo aoristo. O Q. tem sim um gerúndio que é formado de maneira distinta do presente, mas que só aparecerá mais tarde no curso, e sua função vai além do que o presente pode fazer.

    Obrigado pela visita! 😉

  5. Note, se você disser, voltando ao exemplo acima, “Frodo come lembas”, enquanto se prende ao presente (No presente, Frodo come lembas) você refere-se também ao passado e ao futuro (ele come lembas, é assim, sempre foi e sempre será). Ou seja, sob diferentes pontos de vista, pode ou não estar sempre ao presente.

    O Present Continuous é o nosso gerúndio, Slicer. “Frodo está comendo lembas” é present continuous, como tal é o Q. Presente. A diferença entre o Presente e o Aoristo estaria em que o presente se fixa necessáriamente ao momento exato em que a frase é proferida. (i.e. Frodo está comendo lembas –> no momento exato / Frodo come lembas –> uma “verdade universal”, no sentido em que pode ser presente ou não, representando simplesmente algo que “acontece”, como um ciclo.)

    Espero que não leve a mal este comentário, representa apenas uma opinião 😉

  6. Note, se você disser, voltando ao exemplo acima, “Frodo come lembas”, enquanto se prende ao presente (No presente, Frodo come lembas) você refere-se também ao passado e ao futuro (ele come lembas, é assim, sempre foi e sempre será). Ou seja, sob diferentes pontos de vista, pode ou não estar sempre ao presente.

    O Present Continuous é o nosso gerúndio, Slicer. “Frodo está comendo lembas” é present continuous, como tal é o Q. Presente. A diferença entre o Presente e o Aoristo estaria em que o presente se fixa necessáriamente ao momento exato em que a frase é proferida. (i.e. Frodo está comendo lembas –> no momento exato / Frodo come lembas –> uma “verdade universal”, no sentido em que pode ser presente ou não, representando simplesmente algo que “acontece”, como um ciclo.)

    Espero que não leve a mal este comentário, representa apenas uma opinião 😉

  7. Primeiro parágrafo: Sim, concordo. A visão do Helge é só que, no caso do aoristo, o fator determinante do uso é que a verdade precisa existir hoje. Pelo que pude entender da idéia do Hostetter, uma frase como “ele morreu” utilizaria o aoristo, pois trata-se de uma ação pontual (“a) ação pontual (morreu);” — Dic. Houaiss, entrada sobre “Aoristo”). Na visão do Helge, esta frase seria escrita utilizando-se o pretérito e seria interpretada como “ele morre”, caso escrita no aoristo.

    Segundo parágrafo: No inglês, o “aspecto contínuo” é criado a partir da forma conjugada do to be com o particípio ativo do verbo principal (Fonte: English Page). Contudo, dei uma olhada e, realmente, o gerúndio faz essa função ao invés do particípio, no português (PASQUALE e ULISSES, 1997), quando combinados com os verbos auxiliares ESTAR, ANDAR, IR e VIR (Gramática da Língua Portuguesa).

    Mas se eu fosse me espelhar em funções gramaticais, meu ponto de partida seria o inglês: como o Gabriel bem notou na p. 220 do CdQ, o gerúndio inglês possui duas funções que o português não tem: substantivo e infinitivo. Existem algumas teorias sobre o Sindarin, por exemplo, que indicam que Tolkien teria excluído o infinitivo dessa língua em favor do gerúndio.

    Mesmo assim, gostaria de lembrar que Quenya é Quenya. Tentar criar expressões como **i seldo ná lálala ou **i seldo ná lalië seria errado.

  8. Primeiro parágrafo: Sim, concordo. A visão do Helge é só que, no caso do aoristo, o fator determinante do uso é que a verdade precisa existir hoje. Pelo que pude entender da idéia do Hostetter, uma frase como “ele morreu” utilizaria o aoristo, pois trata-se de uma ação pontual (“a) ação pontual (morreu);” — Dic. Houaiss, entrada sobre “Aoristo”). Na visão do Helge, esta frase seria escrita utilizando-se o pretérito e seria interpretada como “ele morre”, caso escrita no aoristo.

    Segundo parágrafo: No inglês, o “aspecto contínuo” é criado a partir da forma conjugada do to be com o particípio ativo do verbo principal (Fonte: English Page). Contudo, dei uma olhada e, realmente, o gerúndio faz essa função ao invés do particípio, no português (PASQUALE e ULISSES, 1997), quando combinados com os verbos auxiliares ESTAR, ANDAR, IR e VIR (Gramática da Língua Portuguesa).

    Mas se eu fosse me espelhar em funções gramaticais, meu ponto de partida seria o inglês: como o Gabriel bem notou na p. 220 do CdQ, o gerúndio inglês possui duas funções que o português não tem: substantivo e infinitivo. Existem algumas teorias sobre o Sindarin, por exemplo, que indicam que Tolkien teria excluído o infinitivo dessa língua em favor do gerúndio.

    Mesmo assim, gostaria de lembrar que Quenya é Quenya. Tentar criar expressões como **i seldo ná lálala ou **i seldo ná lalië seria errado.

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