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Modificações na Lição 2 do Curso de Quenya

Atualizei o resumo da lição 2 do Curso de Quenya. Este post se destina àqueles que já estudaram o curso antes.

Há mudança sobre o plural de substantivos que terminam em -lë. Anteriormente, previa-se que esses substantivos teriam plural em -li, mas hoje sabe-se que o plural é -ler. Exemplos:

  • tyellë > tyeller (Apêndice E; não é **tyelli)
  • fintalë > fintaler (PE17:119; não é **fintali)

A outra mudança é que em VT49:8 Tolkien disse que o artigo definido não deve ser utilizado quando falamos de uma raça inteira ou grupo inteiro. Por exemplo:

  • I Eldar na vanyë “[aquele grupo de] elfos são belos”
  • Eldar na vanyë “[todos os membros da raça dos] elfos são belos”

 

Algumas alterações do Curso de Quenya

Eu finalmente consegui sentar um pouco com o Curso de Quenya na mão e olhar para algo que não fosse a capa, só para variar. As diferenças até a lição seis são poucas, muitas vezes passagens notificando de que coisas que antes eram apenas teoria foram agora confirmadas.

A mudança mais radical que eu detectei até agora é com relação ao superlativo, onde o Helge decidiu adotar um sistema mais tardio inventado por Tolkien. O argumento seria de que, como é um método criado após a finalização de O Senhor dos Anéis, isso teria dado ao Professor a oportunidade de observar todo o material publicado e criar um sistema que não contradiz nada que ele escreveu.

Assim que for possível os Resumos estarão revisados aqui no site.

Curso de Quenya lançado (2ª edição)

Foi só eu falar e saiu: o Curso de Quenya, 2ª edição, está disponível para ser comprada no site da editora Arte & Letra através deste link. O preço é R$ 42,00, o que é mais barato do que eu esperava.

Para vocês que me perguntam como aprender élfico: é esse livro que vocês tem de comprar! Se não quiserem investir no livro, a outra opção é a versão em inglês disponível no site da Ardalambion.

De acordo com o que o Gabriel “Tilion” Brum escreveu nos comentários abaixo, a versão da Ardalambion em inglês é ainda a antiga.

Nova versão do Curso de Quenya quase saindo do forno

O ano que começou trará novamente o mundo de Tolkien para a mídia com a chegada d’O Hobbit aos cinemas.

Mas para nós, que gostamos das línguas, logo logo teremos o Curso de Quenya revisado em nossas mãos. O Curso foi para a gráfica no dia 02 de dezembro e o lançamento é só uma questão de tempo. Para ver quando ele ficará pronto, é só acompanhar o tópico da Valinor em: http://forum.valinor.com.br/showthread.php?t=94834

Quetin i Lambe Eldaiva vendido impresso

Quetin i Lambe Eldaiva em Inglês.
Quetin i Lambe Eldaiva em Inglês.

A Evenstar, dona do site Ambar Eldaron, publicou hoje uma notícia na lista Elfling que já está a venda, na loja virtual da Ambar Eldaron na Lulu.com, o livro impresso do curso Quetin i Lambe Eldaiva, também conhecido como o Curso de Quenya de Thorsten Renk.

O livro pode ser encomendado em capa dura ou brochura, tanto em inglês quando em francês. O preço da brochura é U$ 18,66, e U$ 31,16 em capa dura para a língua inglesa. Em francês o custo é maior em U$ 0,06.

Eu tentei já comprar da Lulu.com o volume 5b dos jornais Vinyar Tengwar, e infelizmente não os recebi. Ao menos a Lulu.com me retornou o dinheiro. Talvez eu tenha sido apenas muito azarado, então quem quiser comprar algo por lá, esteja avisado mas não desencorajado! Só tenha certeza de pedir a entrega expressa, caso contrário você não poderá rastrear o pedido.

Quetin i Lambe Eldaiva 2.0 disponibilizado

A nova versão do Curso de Quenya do Thorsten Renk está disponível no site dele, Parma Tyelpelassiva.

Esse curso é diferente do Curso de Quenya do Helge Fauskanger em alguns pontos:

  1. Verbalmente é mais compacto. Não há explicações longas sobre as funções gramaticais, apenas o que você precisa para escrever. Se você está procurando isso mesmo, algo sucinto, o curso é para você. Caso encontre dificuldades, talvez tenha mais sorte com o curso do Fauskanger.
  2. Ensina Tengwar. Você aprende ao mesmo tempo como escrever com o alfabeto latino e com a escrita élfica.
  3. As funções gramaticais foram escolhidas a dedo. Não que eu esteja dizendo que o Fauskanger não escolheu as suas depois de uma deliberação longa, mas o Thorsten tem um sistema próprio. Se isso é bom ou ruim é outra história. Para mim apenas é importante dizer que meus resumos e meu material de apoio se aplica ao curso do Fauskanger, por ser mais acessível ao estudante brasileiro, e conflitos podem ocorrer (como no caso da 1ª pessoa do plural).

Nova versão do Quetin i Lambe Eldaiva no forno

Thorsten Renk anunciou na lista Elfling que está trabalhando na nova versão do seu curso de Quenya, o Quetin i Lambe Eldaiva.

Caso você esteja interessado em ajudar procurando por erros, ou coisas que poderiam melhorar, você pode baixar a versão beta aqui.

É importante frisar que a versão final deve sair apenas daqui há alguns meses! Nenhum novato deveria utilizar esta versão para aprender o Quenya. (Ou qualquer uma, do jeito que elas estão desatualizadas; aprenda o Sindarin primeiro!)

Para sugestões e correções, registrem-se no fórum do Thorsten, que possui uma área para postagem em inglês.

Resumo do Curso de Quenya: Lição 20

O verbo “ser”

O verbo “ser/estar” (to be em inglês) no Quenya é na-. Ele é conjugado da seguinte forma:

  • Presente e imperativo: na “é/está”, pl. nar “são/estão”, dual nat;
  • Pretérito: “foi/esteve”; com desinências pronominais fica ane-: anen “eu fui/estive”, anel “tu foste/estiveste”, etc. Plural nér, dual nét.
  • Futuro: nauva “será/estará”;
  • Aoristo: nae (nai-) “é/está”;
  • Perfeito: anaië “tem sido/tem estado” (ing. has been).

No curso há muita especulação sobre o verbo ea-. Ele é, na verdade, o verbo “existir”. Sabemos que é tanto a forma do presente quanto do aoristo; que o pretérito é engë; que o perfeito seria éyë numa forma arcaica, mas engië pode ser utilizado. O futuro é euva.

Ma: uma partícula interrogativa?

Sendo objetivo: esta seção é uma teoria de que a partícula interrogativa ma- pode ser utilizada na sua forma raiz (ou seja, ma) para distinguir um questionamento de uma afirmação. Isto ocorre no polonês (Czy … ?), no esperanto (Chu … ?) e até certo ponto no inglês (Did he… ? Can he… ?).

O exemplo faz a compreensão simples:

Tences i parma “Ele(a) escreveu o livro” > Ma tences i parma? “Ele(a) escreveu o livro?”

Eu, particularmente, não creio nessa teoria.

Sa introduzindo cláusulas nominais

O que são cláusulas nominais: uma frase inteira que equivale a um substantivo. O indicador de onde começa uma cláusula nominal no Quenya é a palavra sa.

A frase analisada:

Merin sa haryalyë alassë “Desejo que você tenha felicidade”

  • Merin: “Eu desejo”, o sujeito e o verbo da frase.
  • sa: a partícula que indica que “tudo após esta palavra é uma cláusula nominal”
  • haryalyë alassë: “tenha felicidade”, a cláusula nominal em si; esse pronome, verbo e substantivo são todos um único objeto direto do verbo “desejo”.

Resumo do Curso de Quenya: Lição 19

Pronomes em expressões imperativas

Como é dito no curso, “[p]ronomes retos opcionais podem ser introduzidos para tornar claro se o falante quer que uma ou várias pessoas façam algo” (p. 326).

Os exemplos dados pelo curso seriam:

  • Héca! “suma!/parta!” > hecat!/hecal! “retira-te/retirem-se” (WJ:364)
  • A laita! “louve” > a laital! “louve!/louvai!”
  • Áva care “não faça [isto]!” (WJ:371) > áva carit (note que e > i!)

Também é possível indicar qual é o objeto direto ou indireto utilizando pronomes independentes. P.ex. a laita te “abençoai-os”.

É possível sufixar um pronome independente à partícula á. “Observe-os”, segundo Helge, poderia ser tanto á tire te! quanto áte tire! (p. 327)

Pronomes dativos seriam sufixos à partícula imperativa. Helge exemplifica com ámen linda! “cante para nós!” (p. 328)

O curso expande também para o caso de haver dois pronomes, como objetos diretos e indiretos. A ordem não importaria, diz Helge, mas eu pessoalmente preferiria que o objeto indireto fosse sufixado à partícula imperativa, enquanto o direto se mantivesse independente no fim da frase, como no exemplo ámin care ta! “faça-o por mim!” (p. 328)

Por fim, partículas imperativas negativas – como áva e ála – podem receber pronomes. Cf. VT43:22, onde há álamë tulya “não nos conduza” (i.e. “não nos deixeis [cair em tentação]). (p. 328)

Pronomes Enfáticos

Basicamente servem para dar ênfase ao pronome: inyë chama bem mais atenção do que ni.

Até que haja evidências do contrário, para descobrir qual a forma enfática de um pronome pessoal, apenas adicione o prefixo e- antes da forma longa das desinências que aparecem na tabela do Sistema Pronominal de 1968 – a única exceção sendo a primeira pessoa do singular:

  • Inyë “eu”
  • Etyë “tu” (familiar)
  • Elyë “tu” (formal)
  • Esë “ele/ela/isto”
  • Elvë/Elwë “nós” (inclusivo)

Para pronomes possessivos, é provável que o sistema seja adicionar a desinência -ya à forma dativa do pronome independente:

  • Ninya “meu”
  • Tyenya “teu” (familiar)
  • Lyenya “teu” (formal)
  • Senya “dele/dela/disto”
  • Venya/Wenya “nosso” (inclusivo)
  • Menya “nosso” (exclusivo; atestado em VT43:19)

É importante notar que esses pronomes são considerados adjetivos para propósitos de pluralização. VT43:19 dá o exemplo menyë rohtarnossas dívidas”, onde menya tem o pl. menyë. (Em uma nota não relacionada, Tolkien decidiu que essa expressão seria traduzida como úcaremmar.)

Palavras interrogativas

O curso coloca muito bem: “Muitas palavras portuguesas freqüentemente usadas em perguntas mostram um qu- inicial: ‘quem?’, ‘quê?’, ‘qual?’, ‘quando?’, etc. No élfico de Tolkien, um ma- inicial possui conotações similares […]”

Sabemos destas palavras:

  • Man “quem?” (Namárië, várias vezes atestado no Markirya…)
  • Mana “o que é?” (PM:395, 403)
  • *Manan “para quê?”
  • Manen “como?” (PM:395)
  • *Massë “onde?”
  • *Mallo “de onde?”
  • *Manna “para onde?”

Posposições

Palavras que podem aparecer apenas depois das palavras às quais elas se conectam. Sabemos que existem duas:

  • , atestada nas etimologias como o “atrás” de frases como “há muitos anos atrás“;
  • Pella “além”, atestada no Namárië.

Resumo do Curso de Quenya: Lição 18

Pronomes Independentes

No Quenya, os pronomes podem aparecer como palavras independentes, além das desinências já vistas. Uma lista completa das desinências e das suas respectivas formas independentes pode ser encontrada neste link.

É importante lembrar ao aluno que esses pronomes independentes podem receber desinências casuais. Por exemplo: ni “eu” + -n (dativo) = nin para mim.

Verbos Impessoais

É melhor citar completo do sumário do livro (p. 323):

Alguns verbos do quenya são impessoais, não exigindo sujeito, mas quando alguém é, no entanto, afetado pela ação verbal, esse alguém pode ser mencionado como uma forma dativa: ora nin = “[isto] impele para mim” = “sinto-me instigado [a fazer algo]”.

E a explicação (p. 314):

Sentir-se instigado a fazer algo não é um “ato” deliberado realizado por um sujeito; esse sentimento, ao invés disso, afeta a pessoa envolvida, e em quenya isso é indicado apropriadamente pelo caso dativo.

Caso não tenha ficado claro o suficiente, por favor deixem um comentário.

Verbos Radicais U

Temos certeza de que o particípio ativo (presente) é formado adicionando -la e alongando a vogal raiz, se isto for possível. Talvez o pretérito seja formado com -në.

Os vários usos de

Por enquanto usem “sim” (VT49:28) e “não” (VT42:33, VT49:15).

Estou tentando negociar com o Carl Hostetter a Tolkien Estate (o Hostetter e o Bill Welden já me deram a permissão da parte deles) se poderei obter permissão para uma tradução do artigo Negação em Quenya, publicado no jornal Vinyar Tengwar nº 42, pp. 32–4. Basicamente, o autor Helge Fauskanger pegou várias partes daquele artigo como informação para fazer esta parte da lição (inclusive a comparação A ná kalima lá B), então tendo uma visão mais completa do material será possível que vocês mesmos decidam o que usarão ou não.

A esta altura do curso, é importante já começar a ler o material lingüístico tolkieniano de forma crítica. Em 1959 (ou seja, pós-SdA), era “sim”. Só por volta de 1970 (aproximadamente 10 anos!) Tolkien se decidiu utilizar para “não”, apenas porque ele não gostava da similaridade do û das línguas élficas com o û das línguas européias (citando o grego e o nórdico como exemplos).

Agora deixem-me perguntar uma coisa meus amigos: Tolkien também teve a idéia de “limpar a ficha” da Galadriel, isentando-a de toda culpa e de participação na Fuga dos Noldor, inventando uma história sem pé nem cabeça de ela sair com Celeborn de Aman antes do Fatricídio (no Contos Inacabados). Isto foi por volta de 1970 também, mas ninguém considera essa idéia como canônica, apesar de ser a mais recente escrita por Tolkien. A pergunta é: por que “não” deveria ser canônico também, seguindo o mesmo raciocínio? Não seria “sim” o significado mais plausível, quando comparados os motivos para a atribuição desse significado à palavra em 1959?

Vocês saberão se eu puder traduzir o texto.