Arquivo mensais:agosto 2007

Slicer Responde: Vol. 1

Não, não estou lançando uma publicação com esse nome (ainda; não me deu na telha). Mas os pedidos para tradução de nomes se acumularam de tal maneira que achei melhor responder tudo em um post. O primeiro é do “ezequiel”:

eu queria saber o nome “stela” em elfo e “ezequiel ” tb c souber me pando plx

“[E]stela” vem do lat. stella “estrela”. Em Q. Elen, em S. Êl. “Ezequiel” vem do heb. Yehezqel “Deus fortalece(u)”, mas não temos um verbo “fortalecer”. O mais próximo que consegui chegar foi “vigor de Deus”, Q. Eruormo, S. Eruor.

Antes que me acusem de ter passado reto pelo pedido da Ivone, já o respondi no Fórum Valinor. Seguindo para o da Emanuela:

Slicer,

Como ficam os nomes Emanuela e Érico?
Obrigada!

“Emanuela” vem do heb. Immanu’el “Deus está conosco”: Q. Eruaselvë, S. Erunavin. Já “Érico” é do nord.ant. Eirikr “comandante/senhor honrado”. Como honra, glória e fama tem significados similares (sem contar que não temos um subst. honra e fama no vocabulário conhecido do Q. e S.), precisei utilizar Q. Alcarcáno e S. Aglargon, que incidentalmente é a mesma tradução de “Rodrigo”, meu nome.

Walter é o próximo:

meu nome em elfico como ficaria e as magias como cojuralas em elfico, muito abrigado, esse site é muito loko

Seu nome vem do a.-al.ant. Walthari “comandante do exército”. Precisei modificar isto um pouco para “comandante de guerra”, o que dá em Q. Ohtacáno e em S. Othgon. Outra possibilidade é Q. Ohtaher, dando um sentido mais amplo, como um Generalissimo, Field Marshal, General of the Armies, etc.

Só para constar, embora não tenha confirmação, acho que “Waldir” é uma corruptela de Walter, e teria a mesma tradução.

Escoteiros em Stonehenge

Gostaria de dar os parabéns a todos os membros do Movimento Escoteiro no Brasil e no mundo pelo 100º aniversário do primeiro acampamento escoteiro.

Para comemorar esse acontecimento especial, o 21º Jamboree mundial está em andamento até 08/08. Como você pode ver pela foto, hoje no aniversário a celebração foi feita em Stonehenge, mas o Jamboree em si é feito na Ilha Brownsea, onde o original aconteceu.

Parabéns novamente deste “ex-coteiro”! Sempre Alerta!

Arda Philology 1 publicado

De Anders Stenström, na lista Elfling:

O primeiro volume de Arda Philology, contendo os procedimentos da Omentielva Minya em Estocolmo, agosto de 2005, está agora sendo impressa. Mais informações em http://www.comentielva.com/ardaphil.htm, onde você pode também comprá-lo online.

R$ 48,00 é meio pesado, em minha opinião, mas é possível que valha a pena. Os textos contidos são os seguintes:

  • Petri Tikka: The Finnicization of Quenya (Petri é finlandês, e seus trabalhos de comparação Quenya-Finlandês são muito interessantes);
  • Nils-Lennart Johannesson: Quenya, the Black Speech and the Sonority Scale;
  • Susanne Vejdemo: Tolklangs in the “Real” World;
  • Magnus Åberg: Vowel Affection in Sindarin and Noldorin;
  • Måns Björkman: The Scripts of Aman (Måns Björkman é o webmaster do site Amanye Tenceli, a melhor fonte sobre o assunto na internet, e criador de várias fontes do Compêndio);
  • Christopher Gilson: “Namárië” and the Lexicon of Quenya.

Gestos Élficos

Enquanto escrevo este post estou, na verdade, sem internet, então é bom dizer que o horário é 01:37 de terça-feira (dia 31). A parte boa de estar sem internet é a prerrogativa para colocar a leitura em dia.

Enquanto lia o VT47 aqui, encontrei uma passagem muito interessante em meio a discussões dos 5 nomes diferentes que os elfos têm para suas mãos. Leitores mais assíduos de Tolkien se lembrarão um pouco do Leis e Costumes dos Eldar, e o Eldarin Hands, Fingers & Numerals é contemporâneo desse texto. Without further ado, em VT47:8-9 temos este gigantesco parágrafo (notas de Tolkien adicionadas entre colchetes):

O Eldarin Comum também possuía a palavra palata, um derivado da raiz Eldarin Comum PAL, estendida: palat, palan- “larga, estendida”… Cf. Q. palan, adv. “far and wide”; palda “largo, amplo” (< palna), paláta, Q. palta, T. plata, S. plad, significavam “a palma da mão, a mão mantida com a palma para cima ou para frente, plana e tensionada (com dedos e polegar fechados ou espalhados)”. Essa atitude tinha vários significados importantes como gestos nos costumes Eldarin (Q. Mátengwië, “línguagem das mãos”). Uma palma da mão para cima era um gesto de receptor, ou de alguém pedindo um presente; ambas as mãos postas dessa maneira indicavam que alguém estava ao serviço ou comando de outra pessoa. Uma mão mantida com a palma para frente [À altura do ombro ou mais alto. A altura adicionava ênfase.] em direção a outro era um gesto de proibição, exigindo silêncio ou a parada de qualquer ação; impedindo avanço, ordenando retirada ou partida; rejeição de um pedido. [Então uma mão nunca era levantada para cumprimentar ou dar boas-vindas. Em tal caso, a mão estaria levantada com a palma para trás, e para ênfase os dedos eram agitados na direção do sinalizador. Em um cumprimento casual ao cruzar com alguém, quando nenhuma verbalização era mais desejada, a mão era mantida com a lateral para frente, com ou sem movimento dos dedos.] O gesto do Dúnadan, Halbarad (SdA, p. 818) não era, portanto, uma sinalização élfica, e seria mal-recebida por estes. Em tal caso o gesto {élfico} seria abrir ambos os braços, um pouco abaixo do nível do ombro, com as palmas para fora: nesse caso, assim como no gesto humano, a palma aberta significa “sem arma”, mas o gesto élfico adicionava “em ambas as mãos”. [Necessariamente do seu ponto de vista, já que os Eldar não faziam distinção entre as mãos e suas operações: veja abaixo em Esquerda e Direita. O gesto de Halbarad foi com a mão direita.] A extensão dos dedos modificava o significado. O gesto de um recebedor ou pleiteador, se os dedos e polegar estavam abertos, indicavam aperto e urgência de necessidade ou pobreza. O gesto de proibição da mesma maneira era tornado mais hostil e ameaçador, indicando que se o comando não foi imediatamente obedecido, força ou armas poderiam ser usadas.

Interessante notar em S:5-6 que, a cada vez que Ilúvatar interrompe Melkor, ele o faz levantando a mão esquerda primeiro, a direita depois e, por último, levanta ambas as mãos. Sobre Esquerda e Direita (p. 9-10, notas de Tolkien entre colchetes, notas minhas entre chaves):

Nenhuma distinção era sentida entre a direita e a esquerda pelos Eldar. Não havia qualquer coisa estranha, ominosa (sinistra), fraca ou inferior sobre a “esquerda”. Nem algo mais correto e próprio (direito), de boa-aventurança ou honra sobre a “direita” {nota sobre o indo-europeu deks- omitida por motivos de brevidade}. Os Eldar eram “ambidestros”, e a alocação de diferentes serviços habituais ou funções à direita ou à esquerda era puramente uma questão individual e pessoal, não dirigida por qualquer hábito racial geral herdado. Um Elda poderia geralmente escrever com ambas as mãos; se ele escrevia com a esquerda ele começava no lado direito, se com a direita no lado esquerdo — porque os Eldar achavam mais conveniente que a mão que escrevia não cobrisse o que foi escrito imediatamente antes da letra que ele estava escrevendo no momento. [Mas a escrita era um caso especial. Para economia e claridade era desejável que cada letra deveria ter uma forma padrão. Fëanor inventou suas tengwar com formas mais convenientes para a mão direita, e essas eram consideradas as formas “corretas”; consequentemente as tengwar eram normalmente escritas da esquerda com a mão direita, especialmente em livros e documentos públicos. Se escritos com a esquerda (como muitas vezes em cartas ou registros privados) as tengwar eram revertidas, e eram corretas de frente a um espelho. Nas “runas”, de formas e arranjos mais tardios e elaborados, a reversão era significativa, e não havia diferença em conveniência para ambas as mãos. Elas eram escritas (ou gravadas) em qualquer direção, ou alternando.]

Ao fazer os gestos descritos acima qualquer uma das mãos era usada sem mudança no sentido. Fazê-los com ambas era mais enfático, indicando que o gesto expressa um comando de toda uma comunidade ou grupo, ou de um rei ou autoridade via um arauto ou subordinado. As imagens em pedra das Argonath mantinham uma mão para cima, com a palma para frente, mas era a mão direita (SdA, 411). Era um gesto humano: a mão esquerda era mais hostil; e seu uso permitia o uso na mão direita de uma arma: um machado.