Resumo do Curso de Quenya: Lição 3

Número Dual

Quando duas coisas (pessoas, animais, objetos, etc.) formam um par natural, usa-se o plural dual.

Exemplos de pares naturais:

  • As diversas partes do corpo de uma só pessoa: olhos, mãos, braços, pernas, pés, rins, pulmões, lábios, orelhas, narinas, átrios, ventrículos, etc.
  • Seres ou coisas que criam pares especiais: as Árvores de Valinor (ver S:31); os Frutos dessas Árvores (ver S:116); duas fortalezas irmãs (como Minas Anor e Minas Ithil, ver SdA:253); duas colinas “irmãs” (Amon Hen e Amon Lhaw, ver SdA:412); dois reinos com uma forte conexão entre si (Gondor e Anor).

As desinências:

  • -t é a desinência padrão do plural dual;
  • -u substitui a última vogal ou é adicionado após a última consoante se:
    • houver um t ou d (oclusivas alveolares) perto do fim da palavra, para evitar cacofonia;
    • o par for uma parte do corpo (acredita-se que isto seja global);
    • o substantivo terminar em uma consoante, como dito acima.

Uma última nota sobre a desinência -u: O -u substitui a última vogal a não ser que o desenvolvimento da palavra mostre que havia uma consoante entre o dual e a vogal que sobrou (único exemplo: , dual peu [< peñe, dual peñu]).

Variação de Radical

Algumas palavras do Quenya apresentam características que revelam suas formas mais primitivas. Este fenômeno é mais visível nestes casos:

  • Quando a palavra é monossilábica e possui uma vogal longa, ela encurta a vogal para receber desinências. Ex: nér (ner-) “homem”;
  • Quando a palavra terminava em uma consoante proibida pelo Quenya de estar em posição final e era nivelada para uma outra, próxima foneticamente e permitida na posição. Ex: filit (filic-) “pequeno pássaro” (T e C=K são oclusivas, mas C=K não pode estar em posição final);
  • Quando o desenvolvimento da língua fez algumas vogais finais desaparecerem e tudo que sobrou foi um encontro consonantal final (o que é proibido em Quenya). Ex: hen (hend-) “olho”;
  • Quando a palavra vem de uma versão completa que foi encurtada por motivos estéticos. Ex: Sindelda “elfo cinzento” foi reduzido para Sindel, mas seu plural é Sindeldi (Note que a vogal final desapareceu mesmo, caso contrário teríamos **Sindeldar! Ou seja, apenas as consoantes “voltam da tumba”…);
  • Em algumas palavras dissilábicas com vogais idênticas. Ex: feren (fern-) “faia”; seler (sell-) “irmã” (pois lr > ll);
  • Alguns -e e -o finais viram -i e -u respectivamente. Ex: lómë (lómi-) “noite”; rusco (ruscu-) “raposa”.

Todas as palavras com variação de radical utilizadas durante o curso são devidamente documentadas. Caso houverem dúvidas, ver vocabulário na p. 404.

11 comentários sobre “Resumo do Curso de Quenya: Lição 3

  1. Muito, muito interessante o seu blog, Mestre Slicer. Tenho seguido com interesse e, como não podia deixar de ser, maravilhada 🙂 Parabéns e continue a maravilhar-nos assim 🙂 Também está a ser muito bom fazer umas revisões no Quenya 😀

  2. Muito, muito interessante o seu blog, Mestre Slicer. Tenho seguido com interesse e, como não podia deixar de ser, maravilhada 🙂 Parabéns e continue a maravilhar-nos assim 🙂 Também está a ser muito bom fazer umas revisões no Quenya 😀

  3. O plural dual é mais ou menos o equivalente à palavra “alguns”. Veja a diferença entre ohtali “alguns guerreiros” em contraste ao plural normal ohtar “guerreiros”.

    Cacofonia é uma mistura de sons desagradáveis.

    Quanto a **tamnet, eu não sei de onde você tirou essa palavra. O verbo “bater” é palpa-.

    Por que você não me envia um e-mail pelo formulário de contato me dizendo qual material você está usando para estudar Quenya?

  4. Agora compreendo o que você diz. Acontece que “bater (de leve)” quer literalmente dizer de leve, e em inglês há um verbo específico para isso: to tap, que é bem diferente do verbo to beat.

    *Tamnet não seriam “batidas (de leve)”, creio eu. Uma batida de leve poderia ser, de repente, *tamië, utilizando o gerúndio como substantivo, o que no Quenya é possível. Dessa forma, duas batidas de leve em particular — como, por exemplo, num código predefinido que requeira duas batidas de leve em uma porta para que o indivíduo possa entrar em um esconderijo — seriam dadas como *tamiet.

    É possível usar o plural dual em um verbo que não esteja no gerúndio, mas isto ocorre quando o verbo precisa concordar em número com o sujeito! Veja:

    “Nai elen atta siluvat aurenna veryanwesto.” “Que duas estrelas brilhem no dia de seu casamento.”

    Aqui o locutor deseja que elen atta, literalmente traduzido como “estrela duas” (o sujeito) brilhe no dia do casamento dos noivos. Veja que siluvat “brilhe (no futuro)” está no plural dual.

    Então, embora *tamnet “bateu (de leve) duas” seja uma construção plausível, eu só conseguiria combiná-la com algo tipo *toron atta tamnet pontilya “os dois irmãos bateram de leve [i.e. deram tapinhas] em suas costas”. Ainda assim, eu seria muito corajoso em dizer que essa é uma construção que deva ser imitada. Para coisas que não são “pares naturais”, como essas duas batidas de leve aleatórias nas costas do objeto da frase, eu ainda utilizaria o plural normal.

  5. Agora compreendo o que você diz. Acontece que “bater (de leve)” quer literalmente dizer de leve, e em inglês há um verbo específico para isso: to tap, que é bem diferente do verbo to beat.

    *Tamnet não seriam “batidas (de leve)”, creio eu. Uma batida de leve poderia ser, de repente, *tamië, utilizando o gerúndio como substantivo, o que no Quenya é possível. Dessa forma, duas batidas de leve em particular — como, por exemplo, num código predefinido que requeira duas batidas de leve em uma porta para que o indivíduo possa entrar em um esconderijo — seriam dadas como *tamiet.

    É possível usar o plural dual em um verbo que não esteja no gerúndio, mas isto ocorre quando o verbo precisa concordar em número com o sujeito! Veja:

    “Nai elen atta siluvat aurenna veryanwesto.” “Que duas estrelas brilhem no dia de seu casamento.”

    Aqui o locutor deseja que elen atta, literalmente traduzido como “estrela duas” (o sujeito) brilhe no dia do casamento dos noivos. Veja que siluvat “brilhe (no futuro)” está no plural dual.

    Então, embora *tamnet “bateu (de leve) duas” seja uma construção plausível, eu só conseguiria combiná-la com algo tipo *toron atta tamnet pontilya “os dois irmãos bateram de leve [i.e. deram tapinhas] em suas costas”. Ainda assim, eu seria muito corajoso em dizer que essa é uma construção que deva ser imitada. Para coisas que não são “pares naturais”, como essas duas batidas de leve aleatórias nas costas do objeto da frase, eu ainda utilizaria o plural normal.

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