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PE17: Tempo perfeito do Quenya e pequenas frases

Com eficiência tipicamente alemã, Thorsten Renk vem atualizando seus artigos sobre o Quenya e o Sindarin a cada nova publicação.

Primeiramente, as várias pequenas frases espalhadas pelo PE17 em Quenya já estão compiladas no Índice de Frases em Quenya em seu site, Parma Tyelpelassiva. Lá vocês poderão encontrar diversas frases de uso comum, como “corra rápido”, “observe de perto/atentamente”, “A é melhor (mais brilhante) que B”, “Deus te abençoe”, etc. Todas criadas por Tolkien.
Outras pérolas mostram a tradução do nome Aragorn para Quenya: Arakorno (ou Aracorno, em conformidade com as convenções ortográficas do SdA). Isso vai gerar piadinhas… Por fim, koar al larmar “corpos e vestes” mostra um desenvolvimento interessante de ar “e” > al antes de l, o que faz sentido, sendo ambos fonemas laterais.

Conversei com o Thorsten sobre o assunto em um e-mail privado, perguntando se eu estava correto sobre esse desenvolvimento citaod acima. Ele deu uma olhada no PE17 e me repassou o seguinte:

OK, na verdade é bem claro. Tolkien tentou diferentes conceitos, mas em vários al é a forma que “e” assume antes de l- e as antes de s- – a frase [no Índice] ilustra o primeiro uso.

Por fim, Thorsten escreveu um artigo completamente novo tratando do Tempo Perfeito do Quenya, tratando dos diversos exemplos novos. Alguns exemplos dignos de nota são orya- perf. orie, anta- perf. anie, que finalmente mostram que as formas do tempo perfeito de verbos que iniciam em vogal alongam-na, se for possível (i.e. se não estiverem em um ditongo, como #uie ou ortanie.

Vários verbos derivados como menta-, sirya-e melya- parecem perder -ta, -ya completamente: emenie, isirie e emelie respectivamente. Mas exceções existem, como nahta- perf. anahtie.

Para terminar, o verbo talt- “*escorregar” chamou muito minha atenção, pois é a primeira vez que fico sabendo de um verbo primário triconsonantal desta forma em uma fonte pós-SdA! (Lembrando que talta- aparece nas Etimologias na entrada TALÁT, como um verbo derivado; talta-taltala ing. “tumbling down” é o 30º verso do poema Markirya.)

Omentielva Tatya: Pronomes do Quenya, Khuzdul e Parma Eldalamberon 17

Helge Fauskanger voltou do Omentielva Tatya (quenya, Segundo Encontro) que ocorreu na Antuérpia, Bélgica, uma convenção sobre línguas tolkienianas. Ele fez o upload de dois ensaios escritos por B.J. Ward:

A surpresa do evento, ao que parece, foi o inesperado lançamento do Parma Eldalamberon 17, distribuído por Bill Welden durante o evento. Segundo Helge, há “200+ páginas de material pós-SdA” e que esta edição “traz os comentários de Tolkien sobre os vários exemplos de línguas ‘exóticas’ no SdA, e há novas informações sobre o Khuzdul também. A palavra baruk “machados”, é dito ser a forma plural de bark “machado” (p. 85)…”

Em luz desta nova publicação, o artigo sobre derivações em Khuzdul está defasado. Contudo, é uma das raras oportunidades que o leitor atual tem de comparar como, em um único dia, nosso conhecimento muda de maneira radical.

Fonte: E:34301

Resumo do Curso de Quenya: Lição 8

Tempo Perfeito

Leia os dois primeiros parágrafos da lição e a nota de rodapé do tradutor, pois são importantes para a compreensão do tempo perfeito.

  • Verbos primários: adiciona-se a vogal raiz como prefixo, alonga-se a vogal raiz e adiciona-se -ië ao fim da raiz: tul- “vir” ? utúlië
  • Radicais A perdem o -a final, que é substituído por -ië e seguem o mesmo procedimento dos verbos primários, exceto que:
    • Radicais A em -ya parecem perdê-lo por completo: hanya- “entender” ? ahánië
    • Os que possuem encontros consonantais após a vogal raiz não alongam a mesma: lanta- “cair” ? alantië, e não **alántië
    • Os que começam em vogais são uma incógnita, por isso não são abordados nos exercícios do Curso.

Sabemos que isto não é inteiramente correto agora. menta- ? emenie (PE17:93), fanta- ? afanie (PE17:180) e outros exemplos trazidos no fim de agosto de 2007 pelo Parma Eldalamberon 17 tornará necessária a criação de um novo paradigma. Leia meu artigo PE17: Tempo Perfeito do Quenya e pequenas frases para mais informações sobre as novas evidências.

Pronomes Pessoais

As páginas 146-7 explicam o que exatamente são os pronomes. Caso você não saiba, leia com cuidado. Esta lição trata dos pronomes -n(yë) “eu”, -l(yë) “tu” e -s “ele/ela/isso”, sendo o último tratado apenas na posição de objeto.

No Quenya, os pronomes pessoais são geralmente desinências que são adicionadas ao final dos verbos (depois que os mesmos são conjugados em um tempo verbal). A fórmula para o uso dos pronomes é: Verbo + Sujeito + Objeto.

Exemplo: Utúvienyes “eu a encontrei” (ing. “I have found it”) é formado por utúvië “tenho encontrado” + -nyë “eu” + -s “isto”.

Quando somente o sujeito aparece como desinência, ela pode ser encurtada: -nyë “eu” vira -n e -lyë “tu” vira -l. Ou seja, vilin e vilinyë significam a mesma coisa, “eu vôo”.

Contudo, o objeto é sempre apresentado na forma curta: tultuvanyel “eu te chamarei” é correto, mas **tultuvanyelyë é incorreto!

Também, as desinências pronominais modificam a forma do aoristo, exatamente como se você estivesse adicionando a desinência plural: matë ? matin “eu como”.

Em c. 1968, sabemos que Tolkien considerava -l(yë) a desinência da 2ª. p.sg. formal, polida, o que na maior parte do Brasil seria a função do “tu”. Enquanto isso, -t(yë) seria a forma familiar, coloquial; o equivalente ao “você”, na maior parte do Brasil.


Como uma nota pessoal, quando eu mesmo estava estudando o Curso de Quenya comecei a fazer traduções fora dos exercícios após esta lição. De forma nenhuma essas traduções eram exemplares ou bonitas de se ler, mas me ajudaram a acelerar o processo de aprendizado consideravelmente. Caso você queira fazer o mesmo, eu sugiro que faça a tradução e envie-a para revisão nos tópidos Textos em Quenya ou Dúvidas de Quenya AQUI! no Fórum Valinor. Eu leio o fórum e, na medida do possível, respondo às dúvidas do pessoal.