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Sindanórie em novo local

O site Sindanórie, feito pelo entusiasta Roman Rausch, sofreu uma séria modificação: http://www.sindanoorie.net/ é o novo endereço.

O que você deveria ter visto na Sindanórie que você ainda não viu? Talvez os tópicos de maior interesse para os iniciantes seja a análise dos nomes, então aqui segue uma série de artigos:

Artigo sobre o dialeto Mithrimin do Sindarin na Sindanórie

Hithlum
Fonte: TolkienGateway.net

Roman Rausch escreveu no dia 1º de julho um novo artigo em seu site, Sindanórië, um artigo sobre o dialeto Mithrimin do Sindarin.

O dialeto Mithrimin recebe seu nome por ser próprio dos habitantes da região de Mithrim, no noroeste de Beleriand. Nessa área morava Fingolfin e seus descendentes quando se assentaram no continente no início da Primeira Era do Sol. Assim como todos os Noldor exilados, Fingolfin e seus súditos aprenderam a língua dos Sindar rapidamente, mas o Quenya influenciou a sua pronúncia, da mesma forma que um italiano seria influenciado por sua língua mãe enquanto tenta falar galês. O resultado é um Sindarin muito mais “duro”, com menos fricativas. Os filhos de Fëanor e seu povo também utilizaram esse dialeto, embora com algumas diferenças devido à distância entre os territórios habitados por cada um.

Compreenda a história do pronome “nós” em élfico

O estudioso Roman Raush escreveu em seu site Sindanórië um artigo chamado Sobre as diferentes formas de “nós” em Eldarin. Quem lê este blog e já estudou o Quenya deve saber que há uma certa razão para estudar as formas da 1ª pessoa do plural em específico, de forma cronológica. Para quem não estudou, eu explico:

É difícil haver um tema mais discutido na lingüística tolkieniana do que os pronomes, ainda mais entre os compositores de neo-élfico. Antes do VT49 e do PE17 havia uma falta de informação sobre o assunto, e agora há uma abundância de exemplos e tabelas. Ocorre que, como Tolkien nunca escreveu uma gramática de Quenya atualizada até o pináculo de seu desenvolvimento em 1973, fica a critério do compositor decidir que funções gramaticais ele utilizará ou não em suas obras neo-élficas.

Ademais, a 1ª pessoa do plural no Quenya é diferente da que nós encontramos no português, inglês, e outras línguas mais conhecidas. Ela possui quatro formas distintas:

Inclusiva
Ela inclui a pessoa com quem falamos. Por exemplo, quando falo de você (leitor), um grupo de amigos meus, e eu (escritor) como “nós”, estou incluindo você no nós, e portanto em Quenya eu utilizaria o “inclusivo”.
Exclusiva
Ela não inclui a pessoa com quem falamos. Quando meu grupo de amigos e eu falamos para você sobre “nós”, o nós aqui é exclusivo, pois não estamos contando você entre “nós”.
Dual inclusiva
Quando falo “nós” no sentido de “nós dois, você e eu”, note que são apenas duas pessoas, e que estou lhe incluindo. Por isso que é “dual” e “inclusivo”.
Dual exclusiva
É quando falo “nós” no sentido de “nós dois, meu amigo e eu, mas não você”. Ou seja, eu estou excluindo a pessoa com quem eu falo do “nós”, tornando-o “dual” (pois são duas pessoas no “nós”), mas desta vez ele é “exclusivo”.

Há um ano atrás era fácil encontrar um padrão para a utilização dos pronomes pessoais para composições: seguia-se o paradigma estipulado por Helge Fauskanger em seu Curso de Quenya e pronto! Mas hoje há um outro Curso de Quenya, o Quetin i Lambe Eldaiva do Thorsten Renk, que contém informações mais novas do que o Curso do Helge, mas faz uma escolha diferente em seu paradigma de pronomes pessoais. Por fim, você pode também considerar o paradigma sugerido por Carl Hostetter na Wikipédia (e reproduzido aqui), que embora não seja criado com o neo-élfico em mente, pode ser adicionado a um comparativo.

Juntos, os três paradigmas dão as seguintes sugestões para a 1ª pessoa do plural:

Tabela 1: Comparação entre paradigmas da 1ª pessoa do plural em Quenya tardio.
Fauskanger Renk Hostetter
Inclusivo -lvë -lmë -lvë/-lwë
Exclusivo -lmë -mmë -lmë
Dual inclusivo -mmë -lvë/-ngwë -ngwe/-ince/-inque
Dual exclusivo -mmë

Como vocês podem ver, os três paradigmas concordam em alguns pontos e discordam em outros quase de forma aleatória, aos olhos de alguém que, ao contrário de Roman Rausch, não leu as fontes primárias dessas formas. Mas através do artigo do estudioso alemão, é possível ver os motivos por trás da escolha de cada um dos paradigmas:

  • Fauskanger, com menos fontes para trabalhar, preferiu as formas mais tardias conhecidas até o momento em que compôs o seu Curso. Contudo, na página 227 dele, você pode ler que o próprio Fauskanger utilizava um sistema parecido com o de Renk. No fim das contas ele utilizou uma tabela deduzida com os valores pós-1965 (quando a Segunda Edição do SdA foi publicada, onde omentielmo virou omentielvo).
  • Renk, com mais material para trabalhar, decidiu por uma tabela alternativa: ao invés de utilizar os valores de 1965, agora disponíveis, ele utilizou um paradigma anterior, que coincide com a primeira edição do SdA. As razões eu escrevo abaixo.
  • Hostetter, creio eu, nunca teve a intenção de que o seu resumo se tornasse um paradigma a ser utilizado. Portanto, ele apenas fez um agregado de tabelas pós-1965, com informações que Fauskanger não tinha quando escreveu o seu Curso.

Quanto ao raciocínio de Renk? Ele provavelmente é fundado em dois fatores:

  1. No Louvor de Cormallen, os soldados falam a palavra laituvalmet, que manteve-se dessa forma nas duas edições do SdA. Na Primeira Edição, os soldados dirigiam-se a si próprios, incluindo todos os soldados entre aqueles que longamente louvarão os dois Hobbits. Na Segunda Edição eles se dirigem aos Hobbits, dizendo que “longamente louvaremos vocês dois”, excluindo Frodo e Sam do “nós”. Portanto o sentido é uma questão de interpretação.
  2. Na mais lembrada omentielmo/omentielvo, no ensaio de 1960 “Quendi and Eldar”, quando -lme ainda era uma forma inclusiva, Tolkien deixa explícito que a palavra omentië é utilizada para encontros entre dois grupos, enquanto yomenië é utilizado para encontros entre três ou mais grupos. Portanto, ao manter -lva como dual a frase ainda faz sentido, pois o grupo dos Hobbits e o grupo dos Elfos formam dois grupos; desta forma é possível utilizar a forma dual de “nós”.

Agora que expliquei sobre os paradigmas do neo-élfico, fica a questão: e Tolkien?

Através do artigo é possível ver, como diz Rausch, que Tolkien não criou a mudança no sentido das desinências do nada. A idéia do uso de me- como forma exclusiva e qe-, mais tarde *we- como formas inclusivas vêm das primeiras versões do Qenya, como as encontradas no Early Qenya Grammar.

Para os que se interessam pelo estudo, um ensaio comparativo cronológico assim nunca foi feito sobre o assunto. Para os que se interessam por compor, é mais um aviso de que o material mais antigo pode trazer informações interessantes sobre as idéias do Professor.

Pretérito do Noldorin e ditongos “ei, ai” na Sindanórië

O estudioso Roman Rausch atualizou hoje seu excelente site, Sindanórië, com dois artigos:

  1. O pretérito do Noldorin inicial: Raush fala na Elfling que vários estágios do pretérito das línguas élficas já foram analisados na Tengwestië e no Parma Tyelpelassiva (gnômico, o Noldorin “d’As Etimologias”, o Sindarin e o Quenya), mas nada foi escrito sobre os estágios iniciais do Noldorin de 1923, apresentado no Parma Eldalamberon 13. Depois que nossas crenças sobre o pretérito do Sindarin da época do SdA foram detonadas pelo PE 17 eu comecei a acreditar que é importante olhar para tudo que foi escrito com muita atenção.
  2. Sobre os ditongos ai, ei em Noldorin e Sindarin: No Neo-Sindarin, quando atualizamos palavras “d’As Etimologias” para o Sindarin baseados nos exemplos que possuíamos antes do PE17, nosso conhecimento dizia para atualizar todo ditongo ei para ai, quando este estivesse na última sílaba. Rausch argumenta que os novos exemplos trazidos por esta última publicação mostram um padrão que não é tão simples assim.

Eu sei que alguns de vocês infelizmente ainda não lêem inglês, então as conclusões sobre a parte da “adaptação” do Noldorin para o Sindarin são estas:

  • N. ei < a na última sílaba torna-se S. ai;
  • N. ei < a em outras sílabas mantém-se como ei;
  • N. ei < e ou por vocalização pode se tornar S. ai assim como ei, mesmo na última sílaba;
  • N. ei < o, u pode se tornar ui (cf. S. fuir ‘norte’ (adj.) < *phorya (VT42:20)) ou ei (œi arcaico), mas nunca ai.

Novidades na Sindanórië

No dia 8 de outubro o estudioso Roman Rausch anunciou novidades em seu site, Sindanórië.

  • Essekenta Endamarwa — o artigo trata sobre os nomes de pessoas e topônimos em The Return of the Shadow, The Treason of Isengard e The War of the Ring. O artigo agora traz informações do PE17 sobre nomes como athelas.
  • Concordância de adjetivos em Quenya — Segundo Rausch, o artigo foi reescrito por completo, incluindo “os vários exemplos” em PE16 e também alguns outros exemplos em VT49 e PE17.
  • Fonologia histórica do Goldogrin — O artigo é novo, e traz informações sobre o desenvolvimento do Goldogrin (o gnômico do Book of Lost Tales) desde o Eldarin Comum. É, eu sei, eu pensei que nunca ia ter de ler o Qenya Lexicon também, mas adivinhe só? Acredite, é sempre bom ter informações sobre todos os estágios conceituais das línguas tolkienianas.
  • Abordagem sistemática às traduções de nomes élficos — Muita gente traduz nomes para as línguas élficas, eu não sou exceção. Mas quem já estudou como Tolkien criava versões élficas para nomes comuns de nosso mundo? Só o Roman Rausch.

Sobre este último artigo, há uma passagem muito interessante:

Note que Tolkien usa Vala ao invés de Eru para traduzir “Deus”. De fato, é muito duvidoso que Eru aparecesse em nomes da Terra-média, já que era uma palavra deixada para ocasiões especiais.

Eu não tenho certeza se utilizarei esta dica para os nomes hebráicos, mas para os nomes germânicos certamente é uma abordagem que adotarei em uma próxima revisão da minha lista de nomes.

Seu brilhante webmaster lembrou agora de adicionar os links para os artigos. Perdão. *blush*

Gandalf, Smaug e seus nomes originais

No previamente mencionado The History of the Hobbit, de John D. Rateliff, apareceram novos fatos lingüísticos que, graças aos trabalhos de Christopher Gilson no jornal Parma Eldalamberon, é possível agora a análise.

O primeiro é o nome original de Gandalf, Bladorthin. Utilizando-se de informações contidas no Gnomish Lexicon, o usuário Andrew Higgins chegou à conclusão de que o nome significa “viajante cinzento” (Grey country traveler). Mas ao tentar encontrar o significado de Pryftan, o nome original de Smaug, Andrew conseguiu apenas analisar sem querer o segundo elemento, tan, que no GL é “lenha”, mas em galês (língua que serviu de base para o Gnômico/Noldorin/Sindarin) significa “fogo”.

Roman Raush acertou na mosca a parte final da análise: pryf é a palavra galesa para “verme”, que é uma maneira comum de chamar os dragões nas línguas européias. Lukáš Novák aproveitou para apoiar a teoria. É notório o uso da palavra anglo-saxã wyrm (ing. mod. worm) para “dragão” no poema Beowulf.