Arquivo mensais:novembro 2007

Vocalização de oclusivas implosivas em Noldorin e Sindarin

Bertrand Bellet, em 3 de outubro enviou para a lista Lambengolmor um excelente estudo que é muito útil àqueles que compõem em Sindarin. Para simplificar, estamos falando exatamente dos encontros Vks, Vkt, Vps, Vpt, Vgl, Vgm, Vgn, Vgr e Vgt (sendo V “vogal”) no Eldarin Comum, e o que acontece no seu desenvolvimento que difere entre o Noldorin das “Etimologias” e o Sindarin d’O Senhor dos Anéis.

Acontece então que consoantes oclusivas, como k e p acima, “geralmente parecem ser sonorizadas [i.e. tornam-se g e b] em posições implosivas antes de outras oclusivas ou s, formando ditongos com a vogal precedente – provavelmente via um estágio fricativo intermediário, como a fonética geral e paralelos com línguas do mundo real sugerem”, disse Bellet no seu artigo. “Isto também se aplica a g antes de líquidas [l e r] e nasais [m, n e ñ] – provavelmente primeiro houve mutação suave para ? e então sonorizado.” ?, para quem não sabe, é o som do j de “jeito”, que não existe em Quenya e Sindarin.

O primeiro ponto indicado por Bellet com relação às diferenças entre o N. e o S. pode ser encontrado no Eldarin Comum okt, ukt, onde em N. encontramos auth, uth respectivamente, mas em S. há oeth, uith. Já as oclusivas após e tornam-se ei (> ai quando na última sílaba em S.) e depois de a traz ae.

O segundo ponto é o desenvolvimento de ps e ks para “ditongo + s” em Noldorin, mas f e ch em Sindarin, segundo PE17:134, através das evoluções ps > pph >f e ks > kkh > ch.

Teoricamente, seguindo essas informações, o Eldarin Comum *okta “guerra”, que gerou o Q ohta, se desenvolveria para *oeth em Sindarin, embora auth seja atestado em Noldorin. Da mesma forma, *lokse “cabelo” aparece como o N lhaws em V:370 (corrigido em VT45:29), mas segundo estas regras desenvolveria-se para o S *loch.

A partícula #caraxë (ou seja, carakse) encontrada no nome Helcaraxë, é encontrada como #caraes em V:362, enquanto carach é atestado como Sindarin n’O Silmarillion e em The Lord of the Rings: A Reader’s Companion. Deve ser dado crédito ao David Salo por perceber a evolução ks > kkh > ch antes de todos.

Palestras no AnimeZ (8 e 9 de dezembro)

Estou escrevendo para avisar a todos que fechei com os organizadores do AnimeZ, que acontecerá nos dias 8 e 9 de dezembro, no Colégio Estadual Júlio de Castilhos (“Julinho”; Praça Piratini, 74 — Bairro Santana, Porto Alegre), para fazer duas palestras — uma em cada dia do evento — sobre Tolkien, na área de RPG do evento.

O horário ainda será definido, mas assim que eu tiver a programação eu escreverei aqui no blog. Caso você, leitor, seja jogador de RPG, pode me ajudar ao longo do dia dizendo o que você gostaria de saber sobre línguas tolkienianas voltado ao assunto dos jogos de interpretação. Fiquei de dar a resposta sobre o assunto ainda hoje.

Aurinko e Aurë, Finlandês e Q(u)enya

O estudioso finlandês Petri Tikka escreveu para a lista Elfling a segunte mensagem:

O Q(u)enya aure “luz do sol, brilho do sol, luz dourada, calor” (PE12:33) com os seus significados tardios (como “(luz do) dia”, RC:727) é similar, de uma maneira suspeita, ao finlandês aurinko “o sol”. Eu apenas percebi isto enquanto lia o comentário sobre esta palavra em VT49:45. É estranho eu não ter encontrado alguém comentando este óbvio empréstimo antes de mim. A palavra finlandesa aurinko possivelmente descende de auer “nevoeiro”. E uma forma diminutiva do Quenya aure seria *aurinke

Boas fontes para ler sobre a comparação entre o Quenya e o finlandês são os artigos “Similarities between real languages and Tolkien’s Eldarin” no site Sindanórië e “Are High Elves Finno-Ugric?” no site do também finlandês Harri Perälä. Este também disponibilizou links para ótimos artigos sobre o assunto, que você pode acessar clicando aqui.

Petri Tikka escreveu mais tarde nesse dia que Carl Hostetter apontou para ele um comentário do Christopher Gilson sobre o assunto em VT33:23 (em janeiro de 1994!). Travis Henry apontou que o latim aurum “ouro”, do i.-e. *aues “brilhar, ouro” é uma outra fonte possível, já que o latim também foi uma fonte de inspiração para o Quenya.

Homem trabalhando

No momento, estou tentando resolver problemas que ocorreram com a instalação da minha nova conexão, que é de 1mb. Devido ao mexe-remexe no meu computador, está muito difícil trabalhar em um artigo que estou escrevendo para cá.

A sorte para aqueles que estudam Sindarin e sabem inglês é que não dependem de mim para ler sobre o assunto. É só dar uma visitadinha nesta mensagem da Lambengolmor do Bertrand Bellet, tratando sobre “vocalização de consoantes implosivas em Noldorin e Sindarin”. Quem utiliza vocabulário das Etimologias precisa compreender essas regras para “atualizá-las” ao desenvolvimento fonológico desenvolvido mais tarde por Tolkien.

Novidades na Sindanórië

No dia 8 de outubro o estudioso Roman Rausch anunciou novidades em seu site, Sindanórië.

  • Essekenta Endamarwa — o artigo trata sobre os nomes de pessoas e topônimos em The Return of the Shadow, The Treason of Isengard e The War of the Ring. O artigo agora traz informações do PE17 sobre nomes como athelas.
  • Concordância de adjetivos em Quenya — Segundo Rausch, o artigo foi reescrito por completo, incluindo “os vários exemplos” em PE16 e também alguns outros exemplos em VT49 e PE17.
  • Fonologia histórica do Goldogrin — O artigo é novo, e traz informações sobre o desenvolvimento do Goldogrin (o gnômico do Book of Lost Tales) desde o Eldarin Comum. É, eu sei, eu pensei que nunca ia ter de ler o Qenya Lexicon também, mas adivinhe só? Acredite, é sempre bom ter informações sobre todos os estágios conceituais das línguas tolkienianas.
  • Abordagem sistemática às traduções de nomes élficos — Muita gente traduz nomes para as línguas élficas, eu não sou exceção. Mas quem já estudou como Tolkien criava versões élficas para nomes comuns de nosso mundo? Só o Roman Rausch.

Sobre este último artigo, há uma passagem muito interessante:

Note que Tolkien usa Vala ao invés de Eru para traduzir “Deus”. De fato, é muito duvidoso que Eru aparecesse em nomes da Terra-média, já que era uma palavra deixada para ocasiões especiais.

Eu não tenho certeza se utilizarei esta dica para os nomes hebráicos, mas para os nomes germânicos certamente é uma abordagem que adotarei em uma próxima revisão da minha lista de nomes.

Seu brilhante webmaster lembrou agora de adicionar os links para os artigos. Perdão. blush

A penny for the guy

Remember, remember the Fifth of November,
The gunpowder treason and plot,
I know of no reason
Why gunpowder treason
Ever should be forgot.
Guy Fawkes, Guy Fawkes, t’was his intent
To blow up King and Parliament.
Three-score barrels of powder below
To prove old England’s overthrow;
By God’s providence he was catch’d
With a dark lantern and burning match.
Holloa boys, holloa boys,
Let the bells ring!
Holloa boys, holloa boys,
God save the King!
A penny loaf to feed the Pope,
A farthing o’ cheese to choke him,
A pint o’ beer to rinse it down,
A faggot o’ sticks to burn him.
Burn him in a tub of tar.
Burn him like a blazing star.
Burn his body from his head.
Then we’ll say the Pope is dead.

Fonte: Making Light

RingCon 2007

A RingCon é uma convenção que vem acontecendo anualmente na Alemanha. Ano passado, se não me engano, os atores Sean Astin e Miranda Otto compareceram, e neste ano os convidados foram: Andy Serkis (Gollum), John Noble (Denethor), Thomas Robins (Deagol), Mark Ferguson (Gil-galad), Jed Brophy (orc), Lori Dungey (Mrs. Bracegirdle), Jonathan Harding (Erestor e Dinendal), Kiran Shah (duble de hobbit), and Daniel Falconer (Weta workshops).

A TORN disponibilizou algumas fotos do evento, para quem quiser dar uma olhada (enquanto espera que eu escreva algo útil aqui). Aproveite para ver o novo look da TORN, que agora utiliza o software da WordPress (assim como a Tolkien e o Élfico).

Nova versão do Curso de Sindarin

Há alguns dias, o estudioso Thorsten Renk lançou a versão em inglês atualizada de seu Curso de Sindarin, que já está disponível para download no seu site, Parma Tyelpelassiva.

Você pode baixar o curso clicando aqui. O Thorsten também disponibiliza um arquivo de changelog, listando todas as alterações feitas por ele em cada versão do curso. A versão atual é a 2.7.

É… Cá estamos novamente

Aurë utúlië? Espero que sim. Infelizmente ficamos um mês inteiro fora do ar, mas como até mesmo site brasileiro nunca desiste, a Tolkien e o Élfico está aqui novamente. Ironicamente ressuscitada no dia de Finados.

Neste momento estou terminando um trabalho para a faculdade. Mas neste fim de semana (ou hoje) eu trarei as notícias do que aconteceu em outubro no mundo tolkieniano.