Arquivo mensais:abril 2008

AnimeXtreme 2008 amanhã!

É pessoal, quem for de Porto Alegre e quiser me conhecer pessoalmente, amanhã é o AnimeXtreme 2008! Estarei nos dois dias do evento no estande de Tolkien. A programação está disponível em http://www.animextreme.com.br

Falando em programação, eu estarei fazendo uma palestra sobre as raças do livro O Senhor dos Anéis no Auditório 2. Eu devo ter falado que era às 16hs, mas na verdade o horário correto é 14hs de sábado.

Qual povo fala qual língua?

Outra pergunta daquelas que são básicas (mas importantes!) para a compreensão das obras de Tolkien é: qual povo fala qual língua? Isto é extremamente complicado para qualquer pessoa que não tenha decidido estudar os povos élficos e os clãs de raças que tiveram influência élfica.

Abaixo está minha tentativa de explicar esta questão. Àqueles que já leram O Silmarillion estas ocasiões não serão novidade.

Anos das Árvores

  • 1050: Elfos despertam e inventam o Quendiano Primitivo;
  • 1105: Começa a Grande jornada e a primeira divisão entre os elfos: os Eldar começam a falar o Eldarin Comum, enquanto os Avari falam os dialetos Avarin;
  • 1105–1115: Em algum momento entre esses anos os Teleri formam um dialeto distinto, o Telerin Comum;
  • 1115: Uma parte dos Teleri se separam da Grande Jornada quando chegam ao rio Anduin e são chamados de Nandor, falando o Nandorin, ou “élfico silvestre”;
  • 1133: Os Vanyar e os Noldor chegam a Aman e começam a falar o Quendya;
  • 1151: Os Teleri liderados por Olwë chegam a Aman, e lá formam o Amanya Telerin (Telerin de Aman);
  • 1152: Elwë volta ao seu povo com Melian e a partir dalí são conhecidos como os Sindar. Em um primeiro estágio o Telerin Comum falado por eles torna-se o Sindarin antigo;
  • 1165: Os últimos Vanyar deixam Tirion, a cidade onde este povo e os Noldor moravam juntos. Os Vanyar continuam com o seu dialeto mais arcaico, o Quendya, enquanto os Noldor continuam a desenvolver seu gosto lingüístico até, eventualmente, chegar ao Quenya maduro;
  • Eventualmente durante os Anos das Árvores o Sindarin antigo amadureceu no Sindarin que conhecemos.

Primeira Era

  • Os Noldor foram forçados a abandonar o Quenya como língua falada na Terra-média, e passaram a falar o Sindarin.
  • Os filhos de Fëanor e seu povo possuíam um dialeto próprio, conhecido como Dialeto do Norte.
  • Em Doriath havia um dialeto daquela região.
  • Os filhos de Fingolfin e Finarfin, assim como o povo da região costeira (os falathrim) falavam o Dialeto do Sul.
  • Os anões falavam o Khuzdul entre si, mas falavam a língua de qualquer povo de sua vizinhança. Os anões que viviam em Nogrod e Belegost certamente falavam o Sindarin de forma fluente.
  • Os humanos da Casa de Bëor e da Casa de Hador (1ª e 3ª casas) falavam uma língua ancestral do Adûnaico. Contudo, começaram a falar o Sindarin quando entraram em contato com os Noldor.
  • Os humanos da Casa de Haleth (os haladin, a 2ª casa) falavam uma língua humana separada das outras casas, mas também aprenderam o Sindarin.
  • Os humanos que se aliaram a Morgoth provavelmente falavam suas línguas ancestrais e a Fala Negra, mas tiveram de aprender o Sindarin quando posaram de amigos dos filhos de Fëanor.

Segunda Era

  • Com a destruição do povo dos filhos de Fëanor e de Doriath, o único dialeto Sindarin que sobreviveu foi o Dialeto do Sul. Este tornou-se o Sindarin padrão, falado por todos os povos.
  • Os humanos em Númenor falavam o Sindarin e o Adûnaico de forma corrente, e o Quenya em ocasiões especiais ou em nomes;
  • Os humanos da Terra-média falavam seus idiomas: os Terrapardenses possuíam uma fala derivada da língua dos haladins, enquanto os humanos do norte (ascendentes dos rohirrim) falavam versões mais arcaicas das línguas de seus ancestrais da Casa de Hador;
  • Os elfos da Terra-média (da posterior Floresta das Trevas até a costa oeste) e de Tol-Eressëa falavam o Sindarin tranqüilamente.
  • Os que viviam ao leste da posterior Floresta das Trevas falavam seus dialetos Avarin.
Em um próximo artigo eu tratarei da Terceira Era.

Fonologias históricas do Ilkorin, Telerin e Noldorin em torno de 1923

O estudioso alemão Roman Rausch enviou esta mensagem à lista Elfling ontem:

Eu gostaria de apresentar a todos um novo artigo chamado “Fonologias históricas do Ilkorin, Telerin e Noldorin em torno de 1923”. Embora trabalhos mais tardios do próprio Tolkien sobre este assunto parecem existir, esta é um sumário e análise especificamente das fontes de 1923 (publicadas em PE13 e PE14).

O Ilkorin e o Telerin aparecem aqui pela primeira vez e enquanto o Telerin é bem similar ao seu design mais tardio, o Ilkorin mais antigo é perceptivelmente germânico em estilo, e totalmente diferente do Ilkorin nas Etimologias. O Noldorin mais antigo difere do Noldorin tardio especialmente nas mutações de vogais, que seguem o galês mais de perto.

Eu deixei o Qenya mais antigo de fora porque já há discussões sobre a fonologia dele no Qenya Lexicon e no Early Qenya Grammar; e também porque eu sinto que é muito similar aos seus conceitos mais tardios, quando comparado com as outras línguas.

Comentários e correções são, como sempre, bem-vindas.

Link: http://sindanoorie.atspace.com/1923_phon.htm

Curso de Sindarin no final de abril

[Ressalva: isto não é uma brincadeira de 1º de abril.]

Eu venho tentando obter atualizações da situação do Curso de Sindarin sempre que possível, pois além do interesse óbvio no assunto do livro, eu também queria colocá-lo à venda no AnimeXtreme 2008, que acontecerá dias 12 e 13 de abril no colégio Dom Bosco, em Porto Alegre.

Mas então eu vi ontem a atualização do Twitter do Gabriel Brum dizendo: “Terminei a revisão do CdS. As 58 páginas que faltavam em uma sentada. Já enviei para a editora. Um peso a menos, hehe.” Bem, é triste, mas acontece. Perguntei para um representante conhecido da Arte&Letra se poderia deixar minhas esperanças de lado. Ele confirmou para mim que o livro só sai no final de abril.

Meus únicos alentos são que, primeiro, o Curso de Sindarin vai ser lançado. Segundo, o livro deve estar à venda durante o EIRPG XVI, dias 5 e 6 de junho no Colégio Arquidiocesano em São Paulo, SP, embora seja bom alguém confirmar mais perto da data.