Arquivo mensais:março 2007

2ª Conferência de Criação de Línguas

Para quem estiver viajando pela Califórnia dias 7 e 8 de julho, em Oakland (no campus da Universidade da Califórnia em Berkeley), ocorrerá a 2ª Conferência de Criação de Línguas. Os detalhes do evento foram divulgados por Sai Emrys na mensagem 33952.

O David Salo dará uma palestra sobre “Dar Profundidade Histórica à Construção Lingüística”, ponto fundamental do processo criativo de Tolkien. Salo é pragmático (até demais) em sua visão das línguas tolkienianas, mas ele realmente entende tanto do que Tolkien criou como da lingüística em si, o que já deve valer a visita.

Formas variantes em -n no Quenya

Uma interessante na Elfling: Palavras que terminam em vogais podem elidir a mesma, se a próxima palavra iniciar em uma vogal. Contudo, isso não pode ser feito se a palavra a receber a elisão for monossilábica, caso contrário sobraria apenas uma consoante flutuando no ar.

Será que Tolkien deixou essa questão desse jeito mesmo? Não é o que acha o vigilante Thorsten Renk, que lista os seguintes exemplos na mensagem 33950:

  • sî maller ‘now roads’ (LR:47)
  • sin atalante ‘now #the fallen’ (LR:47)
  • si maller ‘now roads’ (LR:56)
  • sín Andóre ‘now (is) Land of Gift’ (SD:247)
  • sín atalante ‘now (is) the Downfallen’ (SD:47)
  • sî maller ‘now roads’ (SD:310)
  • sîn atalante ‘now (is) #the fallen’ (SD:310)

“Com uma consistência notável, um -n final aparece sempre que a próxima palavra inicia em uma vogal”, diz Thorsten. “De fato, LR:385 lista as variantes sí, sin ‘agora’.” Thorsten nota também que é possível que isto tenha sido testado por Tolkien e que talvez essa seja a explicação por trás da frase Utúlie’n Aurë! n’O Silmarillion. Mesmo assim, ele nota que em Namárië i eleni é utilizado, e não **in eleni, o que provavelmente invalida o uso de *in como artigo antes de palavras iniciadas em vogais.

Roman Rausch na mensagem 33951 adiciona os exemplos ya(n) menelde “como no céu”, yan emme “como nós” (VT43:10).

Os “dedos ágeis” de Koivie-neni.

Na mensagem 996 da lista Lambengolmor, o primeiro editor do Vinyar Tengwar, Helios de Rosario Martinez, analisou uma interessante frase de Tolkien no Qenya Lexicon (QL) de 1917. A frase em questão é i·rendi tapatenda (QL:89), cujo significado é simplesmente “ladrões”.

Helios nota que tapatenda literalmente significa “dedos ágeis”. Com relação a i·rendi, o primeiro elemento é obviamente o artigo definido, mas ele não se decide se o pl. rendi vem de um possível subst. *rendë ou de um adj. renda, mas é certo de que o significado é “povo, família, clã”.

“A família de dedos ágeis?” É uma maneira interessante de chamar os ladrões. Na mensagem 997 Harm J. Schelhaas nota que em holandês os ladrões, como um grupo ou uma “(sub)classe da humanidade”, são referidos como het dievengilde, o que significa “a guilda dos ladrões”. Portanto, não seria estranho que no Qenya do jovem Tolkien uma formação dessas fizesse parte do vocabulário élfico.

Parma Tyelpelassiva: Atualizações

Para quem não sabe, a Parma Tyelpelassiva (Livro das Folhas Prateadas) é o site oficial do Thorsten Renk, criador do Pedin Edhellen, o primeiro Curso de Sindarin confiável da internet.

Há 5 dias atrás o Thorsten atualizou seu site com uma seção chamada Bêthî ‘n Adûnâyê, que contém poesias em adûnaico, a língua dos Edain. O primeiro poema chama-se Azrubêl (Amante-do-Mar, ou seja, Eärendil 😉 ) e já pode ser lido. Já na seção de Quenya (Quentar ar líri Quenyava) você pode encontrar o Quenta Maewen Sorondoyëo (Conto de Maewen e Sorondo).

Para ambos os textos há uma versão em inglês, o que ajuda na hora da compreensão, mas o valor estético já vale a visita. É uma excelente prática para a pronúncia do Quenya especialmente.

Elfos idealistas?

Off-topic, mas não resisti: segundo “O Hierofante“, os elfos eram idealistas porque não agüentavam ver coisas belas arruinadas pela falta de cuidado, falta de habilidade e estupidez.

Então eles contra-atacam com o quê? Excesso de zelo, artefatos overpower e, bem, estupidez?

Ah! os perigos da filosofia de botequim… De vez em quando ela traz à tona algumas verdades que ninguém quer ver. Os idealistas são um grupinho que dá arrepios!

Resumo do Curso de Quenya: Lição 10

Advérbios

Existem alguns advérbios “básicos” no Quenya: aqua “completamente”, “agora”, amba “para cima”, háya (ou talvez haiya) “longe”, oi “sempre” e outros.

A maioria dos advérbios do Quenya são criados ao adicionar a desinência -vë a um adjetivo:

  • Adjetivos que terminam em -a apenas adicionam -vë;
  • Adjetivos que terminam em e -in são uma incógnita e não são abordados nos exercícios (até onde eu verifiquei), mas as possibilidades são abordadas nas pág. 167-8.

Desinências pronominais -ntë e -t

-ntë é a desinência pronominal da 3ª pessoa do plural (“eles/elas”) e -t é a versão curta dele e também é utilizado quando o pronome é o objeto: pustanentet “eles os pararam”.

O VT49 de julho de 2007 trouxe a tona uma tabela de pronomes que transforma -ltë na desinência pronominal para a 3ª.p.pl. Segundo CI:498, -ntë é a desinência para “quando não se menciona o sujeito previamente”. -t tornou-se a forma curta tanto da 2ª.p.sg. familiar (-tyë) quanto da 3ª.p. do dual (-stë/-ttë). Não há forma curta para a 3ª.p.pl., mas há uma forma independente, .

Estas informações fazem com que os exercícios envolvendo estas desinências tornem-se obsoletos no curso impresso.

Infinitivos com pronomes oblíquos

Quando se adiciona uma desinência a um verbo no infinitivo, e este verbo é primário, utiliza-se o infixo -ita- ao invés de simplesmente -e (ou -i): carë “fazer” ? caritas “fazê-lo”.

Já os Radicais A são uma incógnita, portanto não são abordados nos exercícios. As páginas 173-4 abordam o assunto.

Pretérito de verbos intransitivos em -ya

De maneira rápida, verbos intransitivos que terminam em -ya parecem perder esse -ya ao formar o pretérito. Exemplos:

  • farya- ? farnë
  • vanya- ? vannë
  • lelya- ? lendë (< antigo led-në)
  • ulya- ? ullë

Note que os verbos transitivos em -ya não seguem esse padrão! Cheque antes se um verbo é ou não intransitivo para não cometer enganos!

Em VT49:45 temos o verbo intransitivo verya- “casar”, cujo pret. é #veryanë, mandando nossa teoria para o espaço.

Particípios Passivos (Passados)

Verbos Radicais A formam os particípios passivos adicionando a desinência -ina à raiz: hasta- ? hastaina.

Verbos primários terminados em oclusivas (t, p, c) alongam a vogal raiz e adicionam -ina: rácina, nótina.

Os terminados em -r formam em -rna e não alongam a vogal raiz, por causa do encontro consonantal: Merna “procurado”.

Os em -m, -n e -l são incógnitas. Sugiro a leitura cuidadosa das páginas 181-2 para que você tire suas próprias conclusões.

Por fim, o Helge pressupõe que os particípios passivos (ao contrário dos ativos) concordam sim em número. Ou seja, para o plural, -a vira .

Resumo do Curso de Quenya: Lição 9

Infinitivo

O infinitivo é escrito da seguinte forma:

  • Verbos primários adicionam ao final da raiz: tul- “vir” ? tulë;
  • Radicais A mantém sua forma raiz: lanta- “cair” ? lanta.

O Verbo de Negação

Ele é a antítese do “ser/estar”, ou seja, significa “não ser/estar”. Outro significado que o verbo de negação engloba é “eu não (faço algo)”.

  • Aoristo: umë;
  • Pretérito: úmë;
  • Futuro: úva (questionável, mas será utilizado até o fim do curso).
  • Presente: úma (também questionável)

Lembre-se que o aoristo é passível de ser modificado por uma desinência. Umë ? pl. umir “não são/estão”, 1ª pess. do sing. umin “eu não sou/estou”.

VT49:14 tem o verbo la- “não ser/estar”, pres. lanyë, pret. lane, mas como fiquei sabendo dessa forma apenas através do site do Thorsten Renk, não posso dizer com certeza qual o contexto em que este verbo pode ser utilizado.

Particípios Ativos (Presentes)

Para os particípios ativos, a formação é a seguinte:

  • Verbos primários possivelmente são formados adicionando-se a desinência -la à forma do verbo flexionada no presente: tir- ? tírala;
  • Radicais A adicionam -la e alongam a vogal raiz: ruma- ? rúmala.

Lembrando que se existe um encontro consonantal após a vogal raiz, não se alonga a mesma: pusta- ? pustala.

Ardalambion: Ainda me dá arrepios de ler

A Ardalambion BR está de cara nova, mas ainda me dá arrepios de pensar em lê-la. Compreendo que não dá para modificar consideravelmente o conteúdo, já que o site é para ser uma tradução do original, mas, poxa, será que daria para aumentar o tamanho da fonte ao menos? Que tal usar a fonte Georgia ao invés da Verdana? E qual é a dos links em laranja?

Fora esse detalhe (que já vem desde a skin anterior, aliás), Eldarato, ficou show a Ardalambion! Espero que o Gabriel se desafogue logo para conseguir fazer uma atualização decente de conteúdo. O Rogue’s Guide do Thorsten é um artigo que eu estou louco para ver em uma versão bem diagramada e de letras garrafais. 😉

Resumo do Curso de Quenya: Lição 8

Tempo Perfeito

Leia os dois primeiros parágrafos da lição e a nota de rodapé do tradutor, pois são importantes para a compreensão do tempo perfeito.

  • Verbos primários: adiciona-se a vogal raiz como prefixo, alonga-se a vogal raiz e adiciona-se -ië ao fim da raiz: tul- “vir” ? utúlië
  • Radicais A perdem o -a final, que é substituído por -ië e seguem o mesmo procedimento dos verbos primários, exceto que:
    • Radicais A em -ya parecem perdê-lo por completo: hanya- “entender” ? ahánië
    • Os que possuem encontros consonantais após a vogal raiz não alongam a mesma: lanta- “cair” ? alantië, e não **alántië
    • Os que começam em vogais são uma incógnita, por isso não são abordados nos exercícios do Curso.

Sabemos que isto não é inteiramente correto agora. menta- ? emenie (PE17:93), fanta- ? afanie (PE17:180) e outros exemplos trazidos no fim de agosto de 2007 pelo Parma Eldalamberon 17 tornará necessária a criação de um novo paradigma. Leia meu artigo PE17: Tempo Perfeito do Quenya e pequenas frases para mais informações sobre as novas evidências.

Pronomes Pessoais

As páginas 146-7 explicam o que exatamente são os pronomes. Caso você não saiba, leia com cuidado. Esta lição trata dos pronomes -n(yë) “eu”, -l(yë) “tu” e -s “ele/ela/isso”, sendo o último tratado apenas na posição de objeto.

No Quenya, os pronomes pessoais são geralmente desinências que são adicionadas ao final dos verbos (depois que os mesmos são conjugados em um tempo verbal). A fórmula para o uso dos pronomes é: Verbo + Sujeito + Objeto.

Exemplo: Utúvienyes “eu a encontrei” (ing. “I have found it”) é formado por utúvië “tenho encontrado” + -nyë “eu” + -s “isto”.

Quando somente o sujeito aparece como desinência, ela pode ser encurtada: -nyë “eu” vira -n e -lyë “tu” vira -l. Ou seja, vilin e vilinyë significam a mesma coisa, “eu vôo”.

Contudo, o objeto é sempre apresentado na forma curta: tultuvanyel “eu te chamarei” é correto, mas **tultuvanyelyë é incorreto!

Também, as desinências pronominais modificam a forma do aoristo, exatamente como se você estivesse adicionando a desinência plural: matë ? matin “eu como”.

Em c. 1968, sabemos que Tolkien considerava -l(yë) a desinência da 2ª. p.sg. formal, polida, o que na maior parte do Brasil seria a função do “tu”. Enquanto isso, -t(yë) seria a forma familiar, coloquial; o equivalente ao “você”, na maior parte do Brasil.


Como uma nota pessoal, quando eu mesmo estava estudando o Curso de Quenya comecei a fazer traduções fora dos exercícios após esta lição. De forma nenhuma essas traduções eram exemplares ou bonitas de se ler, mas me ajudaram a acelerar o processo de aprendizado consideravelmente. Caso você queira fazer o mesmo, eu sugiro que faça a tradução e envie-a para revisão nos tópidos Textos em Quenya ou Dúvidas de Quenya AQUI! no Fórum Valinor. Eu leio o fórum e, na medida do possível, respondo às dúvidas do pessoal.